Erasmo Carlos chega a BH com show de Dia dos Pais e estreia na Netflix

Tremendão está na comédia “Modo Avião”, ao lado da atriz Larissa Manoela

iG Minas Gerais | Raphael Vidigal |

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Erasmo Carlos é avô de uma menina viciada em celulares, que buscou o refúgio da sua fazenda para “encarar a realidade de outro modo”, segundo ele mesmo. Isso na ficção, onde ele acaba de gravar “Modo Avião”, filme ainda sem data de estreia na Netflix. A neta do Tremendão na telona é vivida por Larissa Manoela, de quem ele se declara “um fanzoco”. “Pensei que ela fosse mimada, mas é supercompanheirinha, uma garota excelente”, elogia. 

Na vida real, o homem que espalhou a sua “fama de mau” durante a Jovem Guarda é hoje um senhor de 78 anos que mantém o espírito aberto. “Não sou um avô chato, que fica mimando os netos. Eu mostro a realidade e digo que, se seguirem os meus passos, eles vão se dar bem”, diverte-se. “Acho errado criticar e achar que a tecnologia tira o diálogo. O progresso vem, e nós precisamos fazer parte dele para não ficarmos para trás”, completa.

Pois se o avô é aquele que se torna pai duas vezes, como proclama o ditado, é para celebrar o Dia dos Pais que Erasmo está de volta a BH. Na bagagem, sucessos de uma trajetória de seis décadas, que ajudou a mudar para sempre a música produzida para a juventude no país. Além de hits como “Festa de Arromba” e “Vem Quente que Eu Estou Fervendo”, o cantor destaca a clássica “Sentado à Beira do Caminho”.

“Essa é uma música que narra a solidão e, ao mesmo tempo, dá uma injeção de otimismo, é um toque para pessoas que ficam depressivas ou estagnadas”, observa o compositor, ao admitir que a canção serviu como terapia para superar momentos difíceis. “Hoje eu não peço nada, só agradeço”, garante. Apesar disso, o autor de “É Preciso Saber Viver” teve que lidar com episódios incômodos e uma série de traumas ao longo de sua existência. 

Inspiradora da balada “Mulher”, Narinha, primeira mulher de Erasmo, cometeu suicídio em 1995. Em 2014, o filho mais velho do artista morreu aos 40 anos, após um acidente de moto. Já Erasmo só conheceu o próprio pai aos 23 anos. “Eu fui criado achando que o meu pai estava morto. Quando ele apareceu, tivemos um relacionamento educado, mas jamais com o amor de pai e filho, porque isso não pode ser imposto, é algo que se conquista”, sustenta.

Criado na “época do patriarcado e de um machismo brabo”, ele confessa que passou por “uma transformação lenta” e que ainda está “aprendendo a se reformular”. “Acho que as mulheres têm muito a conquistar, dou meu apoio para tudo o que propuser a igualdade, acho importante para a sobrevivência do mundo”, opina. Fã de Mano Brown, Emicida e Baco Exu do Blues, ele enxerga no rap “o que há de mais interessante atualmente”. “Estou atento”, salienta.

Tempo. A fala pode ser comprovada pelas parcerias com Emicida em “Termos e Condições” e “Abre-Alas do Verão”, esta gravada por Gal Costa no álbum “A Pele do Futuro” (2018). Também feita para Narinha, a romântica “Gatinha Manhosa” ganhou uma versão de Adriana Calcanhotto em 2009. Quase uma década depois, os dois compuseram juntos “Seu Sim”, que integra “Amor É Isso”, o mais recente trabalho de Erasmo, posto na praça no ano passado.

“Devo muito a essas pessoas que renovam a minha música e mostram-na para as novas gerações, isso me fortifica”, derrete-se o intérprete, cujo outro apelido famoso é Gigante Gentil. Ele não se esquece de citar, nessa lista, Léo Jaime e a banda mineira Skank.  Sempre de olho no que está por vir, Erasmo promete salpicar a apresentação deste sábado (10) com suas novas crias, como a faixa-título e “Sol da Barra”, composta especialmente para ele por Marcelo Camelo. 

Prestes a se tornar atração na tela, o cantor oferece outra prova de que o tempo não parou para ele, ao compartilhar o nome de algumas das séries às quais tem se dedicado como espectador. “Assisti a todos os episódios de ‘Guerra dos Tronos’, e agora estou louco esperando os capítulos de ‘Walking Dead’ e ‘Chernobyl’, que eu adoro”, conta. Como ator, Erasmo abocanhou o troféu da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1972, por sua participação em “Os Machões”. “Me inspiro nos bons, como Marlon Brando, Robert de Niro e Clint Eastwood”, finaliza. 

Serviço.  “Baile do Tremendão”, com Erasmo Carlos, neste sábado (10), às 20h, no Mercado Distrital do Cruzeiro (rua Opala, s/n, Cruzeiro). De R$ 50 (meia) a R$ 100 (inteira) 

Assista a videoclipe de Erasmo Carlos: