Estradas ruins dão prejuízo de R$ 3,8 bilhões ao campo

Levantamento é divulgado pela Confederação Nacional do Transporte

iG Minas Gerais |


Condições das estradas são entrave para a soja e o milho
LEO FONTES / O TEMPO
Condições das estradas são entrave para a soja e o milho

Brasília. O Brasil é o segundo maior exportador de soja e de milho do mundo. Em 2014, foram 46 milhões de toneladas de soja e 19,5 milhões de toneladas de milho exportadas. Mas há graves problemas no escoamento da produção. Somente as condições do pavimento das rodovias levam a um aumento de 30,5% no custo operacional, segundo o estudo inédito “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho”, que foi divulgado nesta segunda pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

O levantamento aponta que, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões. O montante corresponde ao valor de quase 4 milhões de toneladas de soja ou a 24,4% do investimento público federal em infraestrutura de transporte em 2014. Esse dado torna-se ainda mais relevante porque há uma distribuição inadequada da malha de transporte: 65% da soja é transportada por rodovias; outros 26% são escoados por ferrovias e, somente 9%, por hidrovias.

“O transporte torna-se mais caro em razão das más condições da infraestrutura. A gente percebe, por exemplo, que se houvesse uso mais intensivo de ferrovias e hidrovias, o custo da movimentação seria mais baixo e mais vantajoso. Como a densidade da nossa infraestrutura ainda é baixa, o custo sobe e o país perde competitividade”, explica o diretor executivo da CNT, Bruno Batista.

Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos – principal concorrente do Brasil nesse mercado – apenas 20% da produção é transportada por caminhões. Na Argentina, o percentual é de 84%, mas as distâncias médias entre regiões produtoras e portos vão de 250 a 300 quilômetros.

Já no Brasil, a distância percorrida por caminhões e carretas, do Centro-Oeste, que é a principal região de produção de grãos no país, até os portos do Sul e do Sudeste, chega a ser superior a 2.000 quilômetros.

Isso ocorre na maior parte dos deslocamentos de soja e milho, já que, atualmente, 67% das exportações ocorrem pelos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e também Rio Grande (RS).

A má qualidade das rodovias é considerada problema grave ou muito grave por 85,8% dos embarcadores ouvidos pela CNT no estudo Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho.

A percepção de quem depende da malha rodoviária do país para escoar a produção é confirmada pela Pesquisa CNT de Rodovias 2014. Segundo o levantamento, 63,4% das vias utilizadas para escoamento de soja e milho apresentam alguma deficiência no pavimento, na sinalização ou na geometria.

Posição

Competitividade. O Brasil ocupa o 122º lugar no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial em relação a rodovias. Os Estados Unidos estão na 16ª posição, e a Argentina, na 110ª.

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