Usado sem cuidados, pó de cafeína causa overdose e pode matar

Grupo de defesa do consumidor quer proibir venda do produto nos EUA

iG Minas Gerais | Murray Carpenter |


Logan Stiner morreu aos 18 após usar produto para estudar mais
THE LOGAN STINER FOUNDATION
Logan Stiner morreu aos 18 após usar produto para estudar mais

Nova York, EUA. Um ano atrás, Logan Stiner, 18, de Lagrange, em Ohio, era um aluno exemplar, o rei do baile de estudantes e mal podia esperar por sua formatura do colégio. “Ele estava se esforçando muito porque precisava terminar alguns projetos para os exames finais”, conta sua mãe, Kate Stiner.

Em 27 de maio, seu irmão o encontrou desmaiado no chão da sala. Para aumentar sua energia, Stiner havia consumido um pó de cafeína que um amigo comprara pela Amazon, mas calculou mal a quantidade, teve uma overdose e morreu. O médico que o examinou afirmou que a causa da morte foi “arritmia cardíaca e convulsão, devido a uma intoxicação aguda por cafeína vinda de uma excessiva ingestão do produto”.

Algumas semanas depois, James Wade Sweatt, 24, morador da Geórgia recém-casado que havia acabado de se formar na universidade, fez uma bebida com pó de cafeína, também comprado online. Preocupado com a saúde, ele imaginou que cafeína pura e água seriam mais saudáveis como bebida energética do que o refrigerante Mountain Dew Diet que normalmente tomava. Sweatt teve uma overdose, entrou em coma e morreu.

Em sua forma pura, a cafeína é muito potente. Uma colher de chá de pó de cafeína equivale a até 25 xícaras de café (veja o infográfico).

Em julho, o Food and Drug Administration (FDA) aconselhou os consumidores a evitar o pó. “Cafeína pura é um estimulante potente, e quantias muito pequenas podem causar overdoses acidentais”, segundo a declaração do órgão.

Em dezembro, o grupo de defesa do consumidor Centro para Ciência de Interesse Público mandou um requerimento ao FDA pedindo que as vendas fossem suspensas. A advogada da organização, Laura MacCleery, afirmou que é fácil pensar que a cafeína é inócua porque ela está presente no café, no chá e nos refrigerantes.

Regulamentação. Vendido como suplemento alimentar, o pó de cafeína virtualmente não tem regulamentação nos EUA e está disponível online e em algumas lojas físicas, oferecido junto com vitaminas e pós de proteínas para os fãs de academias que misturam seus próprios suplementos.

Os produtos feitos com o pó são regulamentados de maneiras diferentes dependendo de como a cafeína é embalada e vendida: como suplemento (em pó, pílulas ou doses energizantes), como alimento (em refrigerantes, energéticos ou géis para atletas), como remédios vendidos sem receita médica (em produtos como NoDoz, Vivarin, Excedrin e Anacin), ou os com necessidade de prescrição, normalmente usados para enxaqueca.

Apesar de o governo federal não ter restringido as vendas de pó de cafeína, Jennifer Corbett Dooren, porta-voz da FDA, diz que a agência “vai considerar ações de regulamentação, se for apropriado, para proteger os consumidores”.

Kate Stiner diz que não entende a falta de ação da FDA. “Fico frustrada, porque me parece muito claro. E não sei por que eles demoram tanto, não sei por que as pessoas lutam contra. Não estou pedindo para proibirem o café”.

Brasil

Anvisa. Suplementos de cafeína são autorizados como alimentos para atletas e são regulamentados no Brasil. A Anvisa não possui uma recomendação da quantidade máxima de cafeína que uma pessoa pode ingerir ao dia.

Flash

Venda.

O Conselho para a Nutrição Responsável dos EUA, um grupo de comércio de suplementos nutricionais, pediu a seus membros para não venderem cafeína pura diretamente aos consumidores.

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