Eleições em Barcelona e Madri mostram virada política no país

Partidos de esquerda conquistam espaço com o forte desejo de mudança da população

iG Minas Gerais |

Democracia. Espanhóis foram às urnas no domingo para escolher prefeitos, como em Madri
DANI POZO/AFP - 24.5.2015
Democracia. Espanhóis foram às urnas no domingo para escolher prefeitos, como em Madri

Madri, Espanha. Os espanhóis enviaram uma séria advertência aos políticos tradicionais, abrindo as portas de Barcelona e Madri aos “indignados”, em eleições locais, onde os conservadores podem perder um bom número de regiões, e o grupo de esquerda radical Podemos confirma seu avanço.

A seis meses das eleições gerais, os eleitores evidenciaram sua irritação com a crise, com os cortes e os escândalos de corrupção, apesar da incipiente recuperação econômica que a direita exibe como sua grande conquista.

Em Barcelona, o partido liderado pela ativista anti-remoções Ada Colau, Barcelona en Común, superou com 11 vereadores os dez do prefeito nacionalista conservador em fim de mandato Xavier Trias.

Com a necessidade de mais dez vereadores da maioria absoluta, Colau começa agora uma rodada de negociações de forma transparente com forças de esquerda para alcançar um apoio estável.

A busca de pactos se repetirá em Madri, onde a ex-juíza Manuela Carmena, com o Ahora Madrid, ao qual o Podemos se integrou, foi a segunda força mais votada com 20 vereadores, atrás dos 21 do Partido Popular (PP), e pode governar se os socialistas a apoiarem com seus nove vereadores.

“O mais difícil já está feito”, afirmou Carmena ontem, assegurando ter discutido com o líder da lista socialista, Antonio Miguel Carmona. “Fazer as coisas de outra maneira. É uma esperança de mudança. É um sopro de ar fresco”, afirmava ontem Antonio Sama, um sindicalista de 53 anos, que protestava ante a prefeitura de Madri contra salários em atraso da Real Fábrica de Tapetes espanhola.

Medo. Carmena “pode convencer muita gente que tem medo das mudanças de que é possível fazer coisas de outra maneira”, afirmava Isabel Fernández López, outra manifestante de 51 anos. Durante a noite, os partidários de Carmena, 71, festejaram sua vitória na capital espanhola, que a direita governa há 24 anos e que em 2011 presenciou o nascimento do movimento dos “indignados”. Mas, após tocar o céu, esses “indignados” terão que voltar à terra para selar os pactos.

Em Barcelona, uma coalizão da oposição ainda pode afastar Colau, enquanto em Madri a candidata conservadora Esperanza Aguirre promete uma dura disputa.

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, cujo partido obteve 25% dos votos em nível nacional, afirmou que os espanhóis mostraram que desejam dar uma guinada à esquerda e abriu seu partido a “articular governos progressistas no conjunto de comunidades autônomas e municípios para uma mudança segura”.

Sem partido Manuela Carmena e Ada Colau não pertencem a nenhum partido político. Formam parte de plataformas e grupos heterogêneos, como Podemos, herdeiros de movimentos sociais que renegaram partidos políticos tradicionais, e os indignados. As duas, além disso, basearam boa parte da campanha eleitoral nas redes sociais.

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