Carpinejar e o amor nos tempos do cólera e das redes sociais

Em evento nesta terça no Sesc Palladium, o escritor gaúcho fala de literatura e de relacionamentos amorosos

iG Minas Gerais | RAFAEL ROCHA |


O cronista lança seu próximo livro no Dia dos Namorados
Nauro Junior
O cronista lança seu próximo livro no Dia dos Namorados

Não venha falar de amor romântico com Fabrício Carpinejar. O escritor, poeta e cronista gosta mesmo é do amor imperfeito. É sobre o tema que ele vem falar nesta terça no Sesc Palladium, quando participa do “Literaturas: Questões do Nosso Tempo”.

O gaúcho tem rodagem no tema. Trata do assunto semanalmente em suas crônicas publicadas desde 2011 no jornal “Zero Hora”, no espaço antes ocupado por Moacyr Scliar. E também em seu programa de TV, seu blog, no rádio e em seus livros. “Eu acredito que as pessoas têm urgência afetiva e amorosa”, pontua.

Falar de amor com Carpinejar é como mexer em vespeiro. Basta lançar o tema para ele acionar sua metralhadora de frases fortes e marcantes. Mas não espere dele fórmulas nem aconselhamentos positivistas. “Quando se conhece o amor com estofo, ele vai te perturbar, incomodar. O amor enguiça a vida da gente”, atesta. “Você vai ficar viciado na pessoa, ela vai se tonar sua pós-graduação”, completa.

O tema é universal e atemporal, mas Carpinejar é um homem de seu tempo. Não se exime de meter o bedelho em outras questões urgentes, mas também não cansa de avaliar esse amor nos tempos do cólera e de redes sociais. “A geração passada não tinha celular. Com as redes sociais, ficamos mais expostos e disponíveis ao erro. Estamos desaprendendo a falar”, diz. Para ele, esse aparente ímpeto coletivo em amar manifestado nas redes sociais não passa de embuste. “Acho que as pessoas não querem amar. Elas mentem para si que querem”.

Essa gana pelo amor é um prato cheio e tão inesgotável que continua rendendo escritos. Seu próximo livro de crônicas chamado “Para Onde Vai o Amor?” será lançado em junho, em pleno Dia dos Namorados, pela editora Bertrand Brasil. Na obra, Carpinejar conta as agruras de um casal prestes a se separar, mas que não consegue efetivar o fim. “Quando se constrói intimidade com alguém compartilhando gírias, códigos e toda uma bagagem cultural de referências, se a relação acaba, onde se coloca isso? Deixa de uma hora para outra ou esconde e finge que não existe?”, provoca o escritor.

Agenda

O QUÊ. “Literaturas: Questões do Nosso Tempo”, com Fabrício Carpinejar

QUANDO. Nesta terça, às 20h

ONDE. Grande Teatro do Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)

QUANTO. Entrada franca

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