Barranco vira cidade de brinquedo e reproduz comunidade

Os irmãos Lucas, Samuel e Otávio começaram o "empreendimento" em 2009, e hoje a diversão que têm é brincar de desmanchar e reconstruir a pequena cidade que criaram

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

 Empreendimento começou em 2009 e hoje é a diversão dos irmãos Lucas, Samuel e Otávio
CÉSAR TROPI/ DIVULGAÇÃO
Empreendimento começou em 2009 e hoje é a diversão dos irmãos Lucas, Samuel e Otávio

Boizinhos e cavalos de brinquedo pastam em chão de terra batida. Hóspedes de mentirinha chegam a pousada e ao hotel fazenda do povoado e estacionam seus carros de plástico na entrada. Uma cachoeira repousa suas águas em versão reduzida em um lago, e uma bela donzela em forma de boneca repousa na sombra de uma árvore, ao lado de um balanço.

O cenário de uma genuína cidade de interior foi reproduzido em miniatura por três irmãos, que encontraram no barranco em frente a casa deles, na cidade de Soares, distrito de Ouro Preto, o playground perfeito. Ao invés de internet e celulares, eles preferem passar as horas vagas brincando, e foi assim que nasceu o primeiro empreendimento do trio Lucas, de 16 anos, Samuel, de 13, e Otávio, de apenas 8.

A reprodução da comunidade em que vivem, a cidade de Soares, foi ideia dos meninos, quando eles eram ainda mais novos. A construção começou em 2009 e está sempre em andamento. Isso porque eles modificam as obras com o passar do tempo, destroem para depois construir novamente. E também constroem para poder destruir. E assim a brincadeira de Lucas, Samuel e Otávio nunca acaba.

“Aqui é roça, a única diversão que eles têm são essas casinhas que eles fazem. Até tem internet aqui na cidade, mas eles preferem brincar na rua, na frente de casa, atrás do campinho. É um barranco que eles começaram a construir uma cidade com restinhos de tijolos, de coisa quebrada, de madeirinha que encontravam por aí. Eles desmancham, fazem de novo, depois desmancham, fazem outra coisa. Eles reproduzem tudo o que tem aqui onde a gente mora, em Soares”, conta a irmã do trio, Marilene Aparecido Fernandes, de 27 anos.

Ela divide a casa com outros seis irmãos, além da mãe, do padrasto e dos filhos. Ao todo, são 13 pessoas morando na mesma casa, e foi nesse ambiente que Lucas, Samuel e Otávio cresceram e aprenderam a compartilhar os brinquedos e as brincadeiras.

“Tem muita criança na vizinhança, e meus irmão sempre brincam com eles, com os vizinhos. Tem uma pousada na cidade e um sítio que, sempre que tem hóspedes, as crianças de lá vem aqui brincar com eles. Muita gente para pra tirar foto da brincadeira deles, chama muito a atenção, e a gente adora” conta a irmã, sem esconder a admiração que tem pela criatividade dos irmãos menores.

Descoberta

Marilene conta que o trio foi “descoberto” depois de imagens da cidadezinha de maquete ter sido postada no Facebook e compartilhada no último dia 17 de maio. “Foi uma descoberta mesmo, por acaso. Tem muita gente que passa por ali e nem vê, a construção fica na beira da estrada. Fiquei encantada pela maquete, pela delicadeza dos detalhes, e pela humildade das crianças. Parei para tirar as fotos e conversar com eles, e as imagens viralizaram de uma forma tão doida, pra uma coisa que seria tão normal, né? Uma brincadeira de criança’, conta Emanuelle Coelho, que postou as fotos e em menos de 10 dias, já teve quase 20 mil compartilhamentos na rede.

Em sua postagem, ela também não escondeu a emoção. “Entre tantas coisas lindas que a vida vem me presenteado, eis que de repente, conheço Samuel e Otávio. Fiquei tão emocionada com o que vi que resolvi compartilhar com vocês! Samuel e Otávio são dois artistas no sentido stricto sensu...Desde 2009, eles brincam num barranquinho na frente da casa deles, constroem uma cidade em miniatura com tanta riqueza de detalhes que dá vontade de brincar com eles: ficar descalço, colocar a mão na lama e soltar a imaginação. A árvore tem gangorra, ninho com passarinho, ruas com postes, casas com jardins, garagem com carro, haras com silagem, campo de futebol, porquinho, açude... Como é bom ser feliz com o simples e saber que há crianças tão criativas, talentosas e sensíveis apesar das adversidades. Ufa! Há vida além dos tablets e games”. 

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