Banda iraquiana descarrega sua fúria através do heavy metal

Integrantes do grupo Acrassicauda contam como encontraram na música uma forma terapêutica de descarregar seus sentimentos de fúria

iG Minas Gerais | AFP |

Divulgação/Acrassicauda
"Gilgamesh" (2015), da banda Acrassicauda, mostra a influência de grupos como Metallica, Slayer e Testament
Com seu lar destroçado por anos de guerra, um grupo de músicos iraquianos encontrou no heavy metal uma forma terapêutica de descarregar seus sentimentos de fúria. "Não queríamos carregar armas e sair atirando nas pessoas. A violência realmente nunca foi a solução", diz Marwan Hussein, baterista e letrista da banda Acrassicauda.   Em vez disso, o metal os brindou com uma "forma agressiva passiva na qual podemos fazer ouvir nossas vozes", explica. Acrassicauda esteve na vanguarda da cena do metal que nasceu em Bagdá após a invasão americana em 2013, atraindo os jovens cujo sofrimento era muito mais intenso do que o enfrentado pela classe média fanática do Ocidente. Mas, como no Iraque, o caminho trilhado pelo grupo foi dolorosamente lento.   A banda fugiu do Iraque após seu espaço de ensaio ser bombardeado. Mas neste abril - vivendo em Nova York e quase 15 anos após a sua formação original - o Acrassicauda acaba de lançar "Gilgamesh", seu primeiro álbum de estúdio. O vocalista Faisal Mustafa assegura que o heavy metal é como uma "terapia", porque permite descarregar os sentimentos de raiva de uma forma socialmente aceitável. "Você pode expressar esses sentimentos através da música, desde sua alma. E uma vez liberada no palco, essa raiva define quem você é", explica.     Herança iraquiana  "Gilgamesh" mostra a influência de bandas como Metallica, Slayer e Testament, cujo guitarrista Alex Skolnick co-produziu o álbum. O disco é obliquamente político. O título refere-se ao texto épico mesopotâmico geralmente considerado a primeira obra de literatura, uma saudação ao rico passado iraquiano e à continuidade.   As letras - em inglês, que os membros da banda falam com perfeição - tratam de temas tais como o renascimento e a busca da liberdade, mas tudo emoldurado em imagens mitológicas e não em política contemporânea. Os membros do Acrassicauda - nome latino de um escorpião preto comum no Iraque - insistem que a música fala por si e se recusam a comentar a atualidade iraquiana.

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