Marta participa de protesto para manter cátedra de Foucault na PUC

A universidade quer devolver um conjunto de áudios de aulas ministradas pelo pensador francês entre 1971 e 1984 no Collège de France

iG Minas Gerais | Folhapress |

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Sérgio Castro/AE
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A senadora Marta Suplicy participou na tarde desta segunda-feira (25) de um protesto para manter a cátedra de Foucault na PUC São Paulo. A universidade quer devolver um conjunto de áudios de aulas ministradas pelo pensador francês entre 1971 e 1984 no Collège de France.

No início deste mês, a direção acadêmica da universidade enviou um recurso ao cardeal Odilo Scherer , arcebispo de São Paulo e Grão Chanceler da PUC, contra o veto à cátedra. Essa é a última chance de evitar a devolução do material.

A senadora ficou cerca de dez minutos no local onde ocorria a manifestação e disse que é um retrocesso acabar com a cátedra. "Universidade não é para dizer o que pode e o que não pode. É para agregar pensadores e que cada aluno tenha a possibilidade de formar sua própria opinião", disse.

Ex-aluna da universidade, Marta disse que essa "é uma luta de toda a academia" e todos que têm vontade de estudar. "É uma tristeza isso estar acontecendo aqui na PUC que era um baluarte na época que eu era jovem e que todos aqui lutaram contra a ditadura. Era um lugar onde nós todos tínhamos espaço, tínhamos proteção e podíamos brigar pela liberdade", afirmou.

O protesto reuniu cerca de 50 pessoas na frente da universidade. Durante o ato, o artista plástico Cabral fez um desenho abstrato de Foucault sobre uma tela.

O CASO

A PUC de São Paulo é a única instituição fora da França a ter acesso ao material, doado numa parceria que começou em 2011, com intermediação do Consulado Geral da França em São Paulo e outras nove universidades estrangeiras.

Ainda que não tivesse sido oficializada, a cátedra já tinha permitido, na prática, um intercâmbio mais intenso entre pesquisadores brasileiros e instituições internacionais, com, por exemplo, doutorados de cotutela (dois orientadores) em Paris e Bordeaux, na França, e no Canadá.

A cátedra funcionaria como um centro internacional de estudo e pesquisa sobre a obra de Foucault (1926-1984), que era homossexual e morreu em decorrência da Aids. Crítico das instituições de controle social como o presídio e o manicômio, o francês é autor, entre outras obras, de "Vigiar e Punir" e a "História da Sexualidade".

O Conselho Superior da Fundação São Paulo, mantenedora da PUC, composto por dom Odilo, cinco bispos e a reitora, Anna Maria Marques Cintra, vetou a criação da unidade no final do ano passado.

Desde então, os representantes acadêmicos da cátedra dentro da PUC adotaram medidas para reverter a decisão. Os professores Márcio Alves da Fonseca e Salma Muchail chegaram a se reunir com o cardeal de São Paulo.

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