Gestores não fizeram dever de casa

iG Minas Gerais |

A gerente de coordenação de política pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Dagmá Brandão Silva, esclarece que, junto com o documento-base do plano, foi entregue aos delegados o diagnóstico com a atual situação da rede pública de Belo Horizonte. Entretanto, durante a conferência foi pedida uma complementação de informações das redes estadual e privada, além de um detalhamento dos dados apresentados na primeira versão do documento. Segundo ela, foi difícil agrupar todos os aspectos.

“É uma pesquisa morosa, que exige pessoas e um movimento de articulação das instituições”, diz. Segundo Dagmá, essa complementação seria entregue antes da VII Conferência.

Luciano Mendes de Faria Filho, professor da Faculdade de Educação da UFMG, diz que a dificuldade em elaborar os planos está na falta de técnicos especializados para a função. “É baixa a intervenção do município, e os movimentos da sociedade civil não se organizam como deveriam”. Outra questão que influencia negativamente é o próprio regime eleitoral brasileiro. O PNE é uma política nacional de dez anos, que, para dar certo, depende de ações nos níveis estadual e municipal. Como a gestão de prefeitos e governadores não dura esse tempo, pode haver um desinteresse por parte dos gestores. “Há a falta de continuidade. Tratamos a educação como problema de política, e não como política educacional”, diz Faria Filho.

Além disso, as eleições do ano passado podem ter empurrado o início da elaboração dos projetos para 2015. “Os Estados não fizeram o dever de casa, e, neste ano, novas equipes assumiram”, conclui o especialista. (AD)

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