Maduro e novo

iG Minas Gerais |

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Hélvio
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É inimaginável para quem não trabalha em jornal ter ideia do quanto chega de lançamentos de CDs enviados aos cadernos de cultura, músicos na ânsia de algumas linhas de divulgação. A maioria das remessas é ruim, outra grande parte mediana, mas há também coisas boas e de gente nova pesquisando sonoridades e buscando um lugar ao sol, o que é salutar. Há descobertas interessantes, e que bom que exista tanta gente fazendo música. Por outro lado, aguça a curiosidade quando nos deparamos com novos trabalhos de nomes tarimbados, de quem esperamos a qualidade de sempre, nos oferecendo novidades criativas. Começa por aí o interesse que desperta o CD “Samba Noir”, ao reunir os músicos Katia B, Marcos Suzano, Luis Felipe de Lima e Guilherme Gê. Esse novo projeto musical teve início com Katia (vocal e guitarra) e Luis Felipe (violão de sete cordas). Atraídos pelo chamado “samba de fossa e samba canção”, principalmente dos anos 50, eles convidaram o percussionista Suzano, que por sua vez arrebanhou Guilherme, que no disco assina os teclados, samples, voz e synth bass. São músicos maduros que conceberam para composições de Noel Rosa e Vadico (“Pra que Mentir?”), Ary Barroso (“Risque”), Lupicínio Rodrigues (“Volta), Wilson Batista e José Batista (“Meu Mundo É Hoje”), pra citar apenas algumas, roupagens arrojadas, incomuns, com uso de elementos eletrônicos associados aos instrumentos, sem subverter a beleza original das canções.  É um disco leve de se ouvir, cheio de texturas e com a voz de Katia B deslizando. Guilherme Gê também empresta seu canto à faixa “Tão Só”, de Dorival Caymmi e Carlos Guinle, assim como Jards Macalé no belo tom rouco na música “Volta”, em duo com Katia. Por falar em participações, estão presentes ainda Egberto Gismonti, Arto Lindsay e Carlos Malta. A exceção para as faixas antigas está em “Só Deixo Meu Coração na Mão de quem Pode”, do repertório de Katia B. Com esse leque de formulações, mesmo um repertório de fossa ganha outra atmosfera. Só me lembro de ter ouvido algo em clima parecido no CD “Telecoteco”, (2008), em que Paula Morelembaum revisitou composições a partir dos anos 30. Estamos em maio, e posso afirmar que “Samba Noir” é forte candidato a um dos melhores discos de música brasileira de 2015.

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