‘Fórmula 1 é muito mais política do que competição’, opina Bruno Senna

Sobrinho do “Rei de Mônaco” Ayron Senna comenta sobre nova etapa na carreira, na Fómula E, e exlica porque saiu da principal categoria

iG Minas Gerais | Vinicius Silveira* |

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DAVID RAMOS/AP PHOTO - 17.11.2008
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No fim de semana do GP de Mônaco, O TEMPO aproveitou para bater um papo com Bruno Senna, que carrega o sobrenome daquele que foi considerado o “Rei de Mônaco” devido ao desempenho espetacular de Ayrton no circuito de Monte Carlo. Bruno tenta fazer seu nome nas pistas pelo mundo. Hoje, ele corre na recém-criada Fórmula E, realizada com veículos movidos a eletricidade.

Você corre na Fórmula E. Como é esse campeonato e como são os carros que estão na disputa? É um campeonato de monoposto com carros movidos a eletricidade e combustão. Corremos pelo mundo inteiro, em pistas bem competitivas, como Mônaco, por exemplo. A competição sempre passa por mudanças, parte de uma adaptação normal, por ser uma categoria nova. No entanto, ela é muito promissora, porque trata-se de uma tecnologia futura para o automobilismo, que, daqui a algum tempo, pode predominar. Quais são as diferenças entre os carros da F-1 e da F-E? A diferença entre os carros de Fórmula 1 e os de Fórmula E é bem significativa. Os F-1 são esportivos, e você precisa ter uma eficiência muito grande e um trabalho mental muito expressivo. Tudo tem que sair bem para a corrida dar certo, desde os treinos até a prova, além do piloto, que é muito importante. Na Fórmula E, é diferente, porque você tem uma competitividade, mas tem um risco de erro maior, e é disputada em pistas de rua. Você passou por diversas categorias anteriores à Fórmula 1 e agora foi para Fórmula E. Como você tem trabalhado sua experiência de tantos anos em carros de motor para um carro elétrico? Corri na Fórmula 3, disputei a GP-2 e fiz três temporadas na Fórmula 1. Acredito que seja importante, pois tento levar minha experiência trabalhando em contato com a equipe, tentando trazer inovações que possam acrescentar ao rendimento do veículo. Tudo o que faço hoje é em benefício da Mahindra, que é a minha equipe, e da Formula E. Após passar essa temporada na Fórmula E, como você avaliaria sua participação na Fórmula 1 em relação à atual categoria e em qual das duas você prefere competir? Honestamente, passei um tempo bom na Fórmula 1, foram três anos de muito aprendizado, acumulando experiências, mas hoje prefiro a Fórmula E. Digo isso porque as oportunidades são complicadas na F-1. É preciso ter uma posição dentro da equipe, e disputar uma competição assim é muito difícil. Muitas vezes, você não tem a chance de disputar com um carro competitivo. Tem a questão política em si. É bem difícil. Mesmo trabalhando bem na Fórmula E, você cogita correr por outra categoria? Seria bom disputar, correr ou conhecer outra categoria como a Nascar ou a Stock Car, que são categorias ousadas, equipes competitivas. O Rubens Barrichello está na Stock. Acho que para o futuro seria uma ótima pedida. Vamos esperar para ver o que vai acontecer mais à frente. Muitas pessoas depositaram esperanças em sua participação na Fórmula 1, e, infelizmente, você não permaneceu por muito tempo. Por que você saiu da F-1? A Fórmula 1 é mais política do que competição em quase tudo o que se faz por lá. As coisas que se fazem por lá são complicadas, as chances de disputar um campeonato com carros competitivos são escassas e, infelizmente, são poucas as equipes capazes de brigar pelo título do começo até o fim. Quem são seus ídolos no automobilismo? São vários, e alguns são semelhantes aos de muitos outros pilotos, casos de Michael Schumacher, Fernando Alonso, todos eles são talentosíssimos. E, logicamente, não posso esquecer nunca o Ayrton Senna. Você é sobrinho do Ayrton Senna. Para muitos, o maior piloto de todos os tempos. Mas, deixando de lado o Ayrton competidor, como você descreveria o tio Ayrton? Falar do meu tio Ayrton é sempre muito especial. As lembranças que tenho são as melhores. Ele era um cara muito brincalhão, voltado para a família, uma pessoa alegre, feliz, iluminada, divertida e fazia muitas coisas boas para as pessoas. E, dentro das pistas, era um cara obstinado em tudo o que fazia. Sempre tirava o máximo do carro para ter o melhor rendimento nas corridas, buscava estar na frente, sabia o que fazer em todas as situações durante os GPs. Além de ser um competidor muito honesto, era veloz, sempre tentava as ultrapassagens, mas sempre com muito respeito ao trabalho dos companheiros. O sobrenome Senna já chegou a pesar em sua carreira, principalmente sofrendo comparações com o Ayrton? Acho que sempre existiu e vai existir essa comparação com o Ayrton. O sobrenome chega a pesar, por ele ter sido o piloto que foi, a representatividade que ele teve na história do esporte. Tenho consciência de que as pessoas sempre esperavam de mim algo parecido com ele. Até chegavam a me julgar, mas isso faz parte, tenho que buscar fazer o meu melhor, com muita competitividade dentro das pistas. Fora das pistas, você se dedica a outros trabalhos? Fora da Fórmula E, faço um trabalho pelo canal Sky Sports como comentarista da temporada de Fórmula 1, que tem sido uma experiência bacana, é um mundo novo para mim. Tenho aprendido bastante. Qual é a sua maior expectativa quanto a sua passagem pela Fórmula E? Minha expectativa é ser campeão da competição. Entrei no campeonato para brigar pelo título e quero levar um troféu para o meu país e engrandecer o nome da categoria no mundo.  *Supervisão de Felipe Ribeiro

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