Líder da oposição do Burundi é morto a tiros; 100 mil fogem do país

Morte de Feruzi deve dar novo fôlego aos manifestantes que têm ido em peso às ruas contra Nkurunziza, após um fim de semana de trégua anunciado pelos organizadores

iG Minas Gerais | Folhapress |

O presidente da União pela Paz e a Democracia (UPD), Zedi Feruzi, foi morto a tiros na noite desse sábado (23) por um grupo de homens não identificados, informou a polícia de Burundi. A UPD é um dos partidos que encabeça os protestos no país após o anúncio do presidente Pierre Nkurunziza de que disputaria o terceiro mandato nas eleições de 26 de junho, o que levou Burundi ao caos.

O crime ocorreu aconteceu em frente a sua casa, na capital Bujumbura, por volta das 20h (15h em Brasília). Um dos policiais que fazia sua segurança morreu e outros dois ficaram feridos, um deles em estado crítico.

Segundo informações preliminares, Feruzi estava caminhando quando um carro passou e seus ocupantes abriram fogo. Ele foi atingido por vários disparos, um deles na cabeça. Ele estava caminhando perto de sua casa quando foi atacado, explicou um vizinho, que não quis se identificar. "Escutamos cerca de vinte tiros, todo mundo se jogou no chão, algumas pessoas viram um carro Toyota fugindo", completou.

Segundo um jornalista do país, que estava com a vítima no momento dos disparos, os assassinos usavam "uniformes policiais da guarda presidencial". Um dos feridos no ataque, o jornalista disse que se esconderá por medo de também ser assassinado.

A Presidência desmentiu as acusações, se disse "chocada" com o crime e pediu que "se esclareça o caso urgentemente, de modo que os culpados sejam processados pela justiça". Os partidos opositores acusaram o governo de estar por trás do ataque e anunciaram que estão deixando as negociações patrocinadas pela ONU -que estavam sendo realizadas desde sexta-feira (22).

A morte de Feruzi deve dar novo fôlego aos manifestantes que têm ido em peso às ruas contra Nkurunziza, após um fim de semana de trégua anunciado pelos organizadores.

O esforço de Nkurunziza para permanecer no poder provocou uma onda de protestos violentos por todo o país que já se prolonga por quatro semanas e que deixou ao menos 20 mortos e 431 feridos.

Diante da violência, cerca de 100 mil burundineses fugiram para países vizinhos e a ONU já estima que o número dobre nos próximos meses. Muitos deles buscaram refúgio em acampamentos insalubres de refugiados na Tanzânia, onde enfrentam um surto de cólera que já matou mais de 30 nos últimos dias. Outros fugiram para o Congo e Ruanda.

O tumulto levou ainda a uma tentativa fracassada de golpe contra o presidente por um grupo de militares do alto escalão.

Os manifestantes dizem que a tentativa de Nkurunziza de conseguir um terceiro mandato é ilegal, já que a Constituição só permite dois mandatos de cinco anos. Alguns prometem permanecer nas ruas até o presidente desistir da reeleição.

Nkurunziza chegou ao poder em 2005 e foi reeleito em 2010. Ele afirma que ele é elegível para um terceiro mandato porque o Parlamento foi quem o elegeu pelo primeira vez, não um voto direto. Em meio à agitação, a comunidade internacional pede que Nkurunziza adie as eleições.

Burundi é um país pobre que exporta principalmente café e depende fortemente da ajuda externa. Ele passou por uma guerra civil étnica entre 1993 e 2003 que matou pelo menos 250 mil pessoas. 

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