‘Otimismo não é ingenuidade’

G Olavo Machado Junior Presidente da Fiemg

iG Minas Gerais | Renata Abritta |

“País desenvolvido se faz com indústria forte, e a base para isso é educação e treinamento.”
daniel iglesias/arquivo
“País desenvolvido se faz com indústria forte, e a base para isso é educação e treinamento.”

Às vésperas do Dia da Indústria, o presidente da Fiemg pontua a necessidade de diversificar e agregar valor aos produtos brasileiros, diz que é preciso preservar os investimentos contra o desaceleração e ressalta que a força do setor é a base para o desenvolvimento do país

Qual é o papel da indústria na economia mineira? O setor industrial é um dos mais poderosos instrumentos de promoção do desenvolvimento sustentável – com crescimento econômico, transformação e inclusão social –, não só em Minas Gerais, como em qualquer lugar do mundo. Temos em Minas uma indústria moderna, com abundância e variedade de recursos naturais. Mas precisamos diversificar e agregar valor aos nossos produtos, ampliar nossa pauta exportadora e conquistar espaço nos mercados nacional e internacional. Precisamos continuar lutando para que a indústria possa retomar seu crescimento e que volte a impulsionar o país rumo a um desenvolvimento mais duradouro da nossa sociedade. País desenvolvido se faz com indústria forte, e a base para isso é educação e treinamento.

De que forma os industriais devem encarar o cenário econômico atual? Antes de tudo, com otimismo. Na verdade, ser otimista não significa ser ingênuo! Ser otimista significa compreender a realidade e agir com firmeza e energia para transformá-la. Para se fortalecer nesse cenário de crise, também é fundamental também que os empresários estejam unidos. Destaco, nesse sentido, a importância do associativismo na busca de soluções que reduzam custos e contribuam para minimizar os efeitos de uma recessão econômica.

Quais são as soluções para continuar gerando caixa e novos investimentos? Como a Agenda Legislativa da Indústria pode ajudar o setor industrial? Precisamos ser realistas e atuar para a mudança deste cenário. O ajuste fiscal proposto pelo governo é necessário, mas não pode se limitar a aumentar impostos e patrocinar medidas que penalizem o cidadão. O acerto nas contas públicas é necessário, mas não pode ser excessivamente recessivo. Simultânea e paralelamente ao ajuste é preciso preservar investimentos, retomar o programa de concessões de obras de infraestrutura e tirar das gavetas as reformas estruturais que vêm sendo postergadas há anos e décadas. Buscamos constantes negociações e colocação de propostas ao Executivo e Legislativo, em níveis federal, estadual e municipal, em defesa dos interesses dos setores industriais. A Agenda Legislativa é um instrumento importante, pois contém os principais projetos de lei que afetam a indústria. Além dela, temos ainda o documento de propostas da indústria, elaborado pela CNI, que compacta de forma detalhada as principais demandas da indústria sobre diversos temas. No âmbito estadual, elaboramos também um documento de propostas que contempla as principais propostas da Fiemg para o governo do Estado de Minas Gerais.

O Brasil ocupa a 14ª posição no Relatório Competitividade Brasil. Como é possível melhorar esse posicionamento? Com todas essas medidas que pleiteamos por meio da Agenda da Indústria, e outras capazes de amenizar o alto custo de produção no Brasil. Temos propostas nos campos fiscal e tributário, envolvendo a revisão da legislação para reduzir obrigações acessórias das empresas, aproveitamento integral e no momento da aquisição dos créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, crédito de insumos utilizados na atividade produtiva e ampliação das formas de utilização dos créditos acumulados de ICMS. Na área de financiamentos, entendemos ser necessário fortalecer o BDMG por meio de maior dotação financeira no capital do banco e, a partir daí, estruturar na instituição novas modalidades de crédito. Na área ambiental, propomos alterações nos parâmetros para licenciamento ambiental estadual e a priorização das autorizações ambientais para obras de infraestrutura.

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