Com um efeito borboleta

Apesar das muitas alterações e audiência baixa, “Babilônia” mantém sua dignidade na faixa nobre

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Em alta. 

Inês, personagem de Adriana Esteves, é um dos pontos fortes do folhetim das nove da Globo
Ellen Soares
Em alta. Inês, personagem de Adriana Esteves, é um dos pontos fortes do folhetim das nove da Globo

De pobre coitada de cabelos castanhos a uma poderosa e platinada executiva, a obsessiva Inês, de Adriana Esteves, exemplifica de forma perfeita as alterações, erros e acertos de “Babilônia”. Desde a estreia, em março, a novela escrita a seis mãos por Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga já morreu e renasceu, no mínimo, quatro vezes.

A audiência, perdida logo na semana de estreia, até deu sinais de vitalidade, mas continua em 25 pontos no Ibope, abaixo dos 30/35 almejados pela emissora. Em pouco mais de dois meses, a força da trama se esvaiu no óbvio. Personagens importantes, como o casal de idosas Teresa e Estela, de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg, tiveram suas histórias amenizadas, a prostituta que Sophie Charlotte interpretaria virou mocinha e o casal romântico principal, Regina e Vinícius, de Camila Pitanga e Thiago Fragoso, acabou se tornando secundário.

No meio das mudanças, até a abertura e fotografia da trama foram alteradas. Tudo para deixar o denso folhetim mais solar e brando. A situação crítica exibe o jogo de cintura do elenco principal e de Esteves, principalmente. Inês já caiu e levantou muitas vezes, mas segue como uma das personagens mais interessantes da trama. Segura e forte, mesmo na turbulência que abate a produção, a atriz é um dos grandes trunfos da novela das nove. “Babilônia” tem outros ganchos certeiros: Gloria Pires, Bruno Gissoni, Arlete Salles e Marcos Palmeira, por exemplo. No entanto, tudo o que funciona é dramático demais. O núcleo cômico da trama, embora tenha os ótimos Marcos Veras e Maria Clara Gueiros, não consegue engrenar.

Manter a dignidade de “Babilônia”, depois de tantos problemas, demonstra o talento do trio de autores e da equipe de direção comandada por Dennis Carvalho. Com tudo sendo gravado e regravado às pressas, o resultado final ainda é melhor do que muitas tramas organizadas e com frente de capítulos. No entanto, a dignidade não livrou a novela de um corte mais profundo, com direito a capítulos editados na presença de Silvio de Abreu, diretor de dramaturgia diária da Globo. Sem muita chance de reação, a novela também vai perder cerca de três semanas de exibição e finalizar sua história com 143 capítulos, fato raríssimo em tramas das nove. Com estrelas no elenco e assinatura de Braga, “Babilônia” é o clássico exemplo de uma produção feita na medida para o sucesso, mas que esbarrou em sua falta de simpatia e na própria grandeza.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave