A imprevisível Libertadores

iG Minas Gerais |

A imprevisibilidade do futebol não é novidade para ninguém, sendo ela um dos fatores que fazem desse esporte o mais querido. Outro é que os mesmos membros usados para a locomoção dos atletas, no caso os inferiores, como em quase todas as outras modalidades, são também utilizados para que se conduza a bola, o que dificulta ainda mais sua prática e o torna único. Na grande maioria dos demais desportos, enquanto os braços e as mãos conduzem a bola, a raquete, o taco, seja lá o que for, as pernas estão “livres” para ajudar os braços e o resto do corpo. Mas o motivo desta coluna não é debater biomotricidade, mas uma das Libertadores mais imprevisíveis dos últimos tempos, para sorte do Cruzeiro, que tem tudo para fazer a final da competição, mas não vou mais arriscar palpites, coisa que fiz no começo da disputa e quebrei a cara. Para mim, Corinthians, Boca Juniors e Atlético – se passasse da primeira fase – eram os favoritos ao título. Todos caíram nas oitavas de final. Os motivos foram variados. O Galo, que ganhou muita força ao ressuscitar na fase de grupos, pegou o Inter, um time muito forte e em pleno crescimento. Jogou bem os dois jogos do mata-mata, mas ficou pelo caminho, pois só um poderia seguir. Contudo, se tivesse ficado em primeiro de sua chave na fase anterior, pegaria, teoricamente, um adversário mais fácil nas oitavas e poderia ter se classificado às quartas de final. Será? A resposta pode estar no caso do Corinthians, que atropelou no grupo da morte e ainda pôde “escolher” um oponente menos tradicional, que o eliminou de maneira inconteste e que segue surpreendendo. Já o tombo do Boca, o melhor time da fase de grupos, com 100% de aproveitamento, 19 gols marcados e dois sofridos, também se deve ao imponderável, mas um imponderável evitável. Foi vítima de sua própria cultura, a de que vale tudo para ganhar. Perdeu a possível classificação, perdeu muito dinheiro e perdeu a vergonha na cara quando seus jogadores aplaudiram os bandidos das torcidas organizadas no dia do Superclássico mais deprimente da história. Só resta ao clube, agora, não perder a chance de mudar a péssima imagem que consolidou após o que aconteceu em La Bombonera, estádio que não tem a menor condição de receber grandes jogos. O Cruzeiro não tem nada a ver com isso, mas se beneficiou e pode se beneficiar muito mais por não cruzar com times que ainda estão mais ajustados. Muita gente disse que a equipe celeste fez um jogaço contra o São Paulo no Mineirão. Exagero! Fez um bom jogo! Muita gente afirmou que fez um bom jogo contra o River na Argentina. Exagero! Fez o jogo certo! Por falar em jogo certo, acho que esse é o ponto no Cruzeiro. Marcelo Oliveira está conseguindo incutir na cabeça dos jogadores que a equipe bicampeã brasileira acabou de vez. Já era! Mas, mesmo sendo um time tecnicamente muito inferior aos de 2013 e 2014, pode ir longe, bastando incorporar essa limitação e colocando em prática um jogo mais coletivo, pois substituir Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Lucas Silva é muito difícil. Por isso e pela vantagem obtida em Buenos Aires, a Raposa tem tudo para ficar entre os quatro “melhores” da América, mas deve estar muito atenta ao jogo da volta, pois qualquer time argentino, ainda mais tão tradicional, deve sempre ser muito respeitado. Basta lembrar a final da Libertadores de 2009, quando o Cruzeiro empatou em 0 a 0 o jogo de ida, fora de casa, e muitos comemoraram a “vantagem” sobre o Estudiantes.

Sinal de alerta. Mesmo tendo que, acertadamente, se dedicar à Libertadores, o Cruzeiro precisa começar a ganhar pontos no Brasileirão, que é uma competição muito forte. Claro que ninguém cogita a queda para a Série B, mas não dá para pegar a tabela e ver o time na lanterna, sem pontos, seja com apenas uma, duas ou três rodadas. Se não reagir, vai atrapalhar a si mesmo na Libertadores.

Esperança. Já o Atlético reagiu muito bem à eliminação na Libertadores, e a torcida melhor ainda. A injeção de ânimo nos jogadores foi muito grande por causa da recepção calorosa após a derrota em Porto Alegre. Reflexo disso foi o desempenho contra o Fluminense, em Brasília. A goleada por 4 a 1 ficou muito barata para os cariocas, que escaparam de tomar uns oito, nove, dez gols.

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