Intempéries e emboscadas no caminho dos tropeiros

O escritor Cláudio Luiz Gonçalves de Souza lança o livro “Zeca Tropeiro – Um Herói Brasileiro”

iG Minas Gerais | RAFAEL ROCHA |

Tropeirismo. A homenagem do autor aos tropeiros usa de diálogos com expressões regionalistas
Divulgação
Tropeirismo. A homenagem do autor aos tropeiros usa de diálogos com expressões regionalistas

Em 1836, seis homens decidem partir de Arraial de Nossa Senhora do Pilar das Congonhas de Sabará, atual Nova Lima, em direção à longínqua Vila do Alegrete, no Rio Grande do Sul. Eram tropeiros que se aventuravam no itinerário – cerca de 2.000 quilômetros nos cálculos atuais – em busca de mulas, indispensável meio de transporte e algo bastante valioso na época. Essa verdadeira saga repleta de imprevistos, perrengues e adversidades é o mote do livro “Zeca Tropeiro – Um Herói Brasileiro”, que será lançado hoje na Funarte.

Na obra, o professor e advogado Cláudio Luiz Gonçalves de Souza escreve um romance histórico e presta sua homenagem aos tropeiros, personagens de sua admiração irrestrita. A eles, o autor credita o desbravamento de rincões e o desenvolvimento da economia do país em tempos de infraestrutura praticamente nula. “Numa época em que não havia avião, caminhão, nem estradas, os tropeiros funcionavam como o primeiro movimento logístico do país”, ressalta.

Definitivamente, eram maus momentos. A Coroa portuguesa começara a cobrar o quinto, imposto sobre todo o ouro extraído de suas colônias. Quanto mais gente envolvida na extração do metal precioso, melhor para a Coroa, que proibia as famílias de trabalharam com agricultura de subsistência. Alguém precisava cumprir a tarefa de escoar o ouro até o Rio de Janeiro, capital da época, e retornar com suprimentos, alimentos e vestuário. A função, portanto, foi assumida pelos tropeiros.

Durante esses percursos de ida e vinda em pleno ciclo do ouro, esses viajantes acabaram ajudando no desenvolvimento do que depois iríamos chamar de cidades. Até nas panelas respinga a influência dos tropeiros, a quem devemos a criação de delícias como feijão-tropeiro e arroz-carreteiro. “Por onde eles passavam, montavam os chamados pousos, que serviam para descansar. Assim foram surgindo vilas e arrais no entorno”, explica o escritor, que partiu de acontecimentos históricos para construir o romance. Na obra, Zeca é líder de sua turma de tropeada que vai para o Sul em busca das tais mulas.

Essa busca porém, era missão perigosa. O animal, de difícil reprodução, era caro – custava 40 vezes mais do que uma vaca e só existia em maior número no Sul do país. Ao longo de quase 12 meses, a viagem até lá acaba se tornando uma aventura repleta de perigos: a turma é assaltada, seus integrantes caem em emboscadas, encontram tribos indígenas, enfrentam intempéries e sofrem com doenças.

Agenda

O QUÊ. Lançamento do livro “Zeca Tropeiro – Um Herói Brasileiro”

Hoje, às 18h, na Funarte (r. Januária, 68, centro)

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