Objetivo é mexer nos salários

Para Serrano, o processo de queda no rendimento real do trabalhador também reforça esse cenário de correção de inflação

iG Minas Gerais |

São Paulo. O saldo líquido do emprego formal negativo em abril em 97.828 postos de trabalho, segundo mostra o Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), veio em linha com o objetivo implícito do governo de mexer nos salários no país. A avaliação é do economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

Não é de agora que o economista defende que o mercado de trabalho, em especial os salários, forma uma das principais variáveis do ajuste econômico que o país precisa. “É claro que o governo não vai admitir isso explicitamente, mas ao reduzir o mercado de trabalho ele consegue mexer nos salários. Essa é a forma de se ajudar no processo de arrefecimento da inflação para levá-la ao centro da meta em 2016”, disse o economista.

Perfeito lembra que o Caged está reproduzindo o que a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE já havia mostrado há alguns dias, quando a taxa de desemprego subiu de 6,20%, em março, para 6,40% em abril. Para o economista, dependendo do quanto o mercado de trabalho ajudar na redução da inflação, talvez o ajuste da economia possa ser um pouco menos rigoroso.

“Bastante negativo”. O economista-sênior do Besi, Flávio Serrano, diz que o fechamento de 97.828 postos em abril é um resultado “bastante negativo”, e impressiona pela intensidade. “Mostra que há uma intensificação do ajuste no mercado trabalho. O movimento em si era esperado, mas surpreende pela intensidade”, afirmou.

Segundo o economista, o processo de alta no desemprego vai ajudar no processo “de correção do desequilíbrio da inflação”. “Uma parcela (da alta forte da inflação) é inflação de serviços, que era resultado de mercado de trabalho em patamares elevados. Ou seja, está havendo um ajuste”, disse.

Para Serrano, o processo de queda no rendimento real do trabalhador também reforça esse cenário de correção de inflação. “É a parte dolorosa, infelizmente”. Além disso, ele destaca que a queda no emprego terá como reflexo a desaceleração do consumo como um todo.

Nas estimativas do economista, o desemprego deve caminhar para a faixa dos 7%. “Esperávamos esse patamar no ano que vem, mas pode ser até neste ano, caso continue essa intensidade”, afirmou.

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