Voo de reafirmação da ‘fênix’

Meia-atacante é peça de destaque no esquema de Marcelo Oliveira e recebe elogios na Raposa

iG Minas Gerais | Guilherme Guimarães |

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JUAN MABROMATA/AFP
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O futebol tem um dos mais cruéis vestibulares do mundo, sendo capaz de ignorar a linha tênue entre a frustração e a realização dos sonhos mais íntimos daqueles que veem na modalidade uma boa chance de melhorar de vida.

Ainda jovem – –, Marquinhos, o herói do Cruzeiro na vitória por 1 a 0 sobre o River Plate-ARG, no jogo de ida das quartas de final da Copa Libertadores, no Monumental de Núñez, viveu por diversas vezes essa mistura de sensações e até pensou em desistir do futebol. tem 25 anos

O algoz da equipe argentina, que já vendeu chup-chup na cidade de Prado, no Sul da Bahia, sua terra natal, e perdeu dois irmãos pelas intempéries da vida, mostra, com a bola nos pés, que voa alto e dá a volta por cima. E que ressurge como uma fênix, contrariando a desconfiança de muitos.

“Queria desistir de jogar futebol, mas, com a força dos meus pais e amigos, estou aqui. Pensei em desistir quando perdi o meu irmão, depois perdi outro. Mas ergui a cabeça junto com a minha família, continuei no meu trabalho para dar mais alegria para minha família, que é o mais importante”, disse o avante, logo em sua chegada ao Cruzeiro.

Mesmo sem ser unanimidade entre os torcedores, Marquinhos tem total apoio do técnico Marcelo Oliveira, um dos responsáveis pelos maiores elogios ao meia-atacante. Prova disso é a titularidade absoluta do jogador, que agradece com muita luta, dedicação e espírito de decisão em campo.

“O Marquinhos a gente sempre abraça com muito carinho, porque esse jogador foi muito criticado em algum momento, mas é um atleta muito equilibrado, tático e útil também. A gente fica feliz quando ele se entrega bastante e ainda faz o gol. É uma vitória para ele, porque ele dá confiança e ajuda ainda mais”, diz o comandante estrelado.

Aquele moleque que saía de casa no litoral baiano, ainda na infância, com uma caixa de chup-chup para vender – às vezes voltava de mãos abanando, sem o dinheiro das vendas, pois preferia jogar bola com os amigos – é um dos exemplos de que o vestibular do futebol, assim como o da vida, e difícil. Mas não impossível.

Do futebol com os pés descalços, ganhou a primeira chance no Vitória, um dos clubes mais tradicionais do futebol nacional. No Leão, chegou para as categorias de base no ano de 2002, aos 12 anos, e teve sua primeira chance na equipe principal em 2008. Foi um dos destaques do clube no Brasileirão daquele ano e despertou a atenção de um grupo de investidores, que o levou para o Palmeiras.

O ano de 2009 não foi tão bom para Marquinhos, que, longe de casa e da família, sofreu com as lesões e fez apenas oito jogos pelo Verdão no Brasileiro daquele ano. Em baixa, foi emprestado ao Flamengo, mas quase não permaneceu na Gávea, por entraves jurídicos impostos pelo Vitória. No Fla, ainda viveu fase pior do que no Palmeiras, e o destino, ao que parecia, dava um indicativo de onde o meia-atacante recuperaria seu bom futebol. O único gol de Marquinhos pelo Flamengo foi sobre o Atlético, no Brasileirão de 2010.

O avante retornou ao Vitória, seu clube de origem, e chamou a atenção da Raposa em 2014. “A gente sabe que críticas vão existir. Só tem que estar preparado para tudo. A gente tem que manter os pés no chão e trabalhar muito em busca das vitórias, de melhorar sempre”, frisou.

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