Anfíbio que viveu há 70 milhões de anos é exposto em Minas

A nova atração é uma ação do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, da Universidade Federal do Triãngulo Mineiro, que culminará com o evento “Terra dos Dinossauros”, coincidindo com o lançamento do filme “Jurassic World: o mundo dos dinossauros” nos cinemas.

iG Minas Gerais | Da Redação |

Anfíbio que viveu há 70 milhões de anos é exposto na Universidade Federal do Triângulo Mineiro
Anfíbio que viveu há 70 milhões de anos é exposto na Universidade Federal do Triângulo Mineiro

Um fóssil de rã que habitou a região mineira de Peirópolis,  há 70 milhões de anos foi apresentado nesta sexta-feira, pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro. A nova atração é mais uma ação do Complexo Cultural e Científico da cidade, que culminará com o evento “Terra dos Dinossauros” com uma programação variada, que ocorrerá entre 8 e 12 de junho, coincidindo com o lançamento do filme “Jurassic World: o mundo dos dinossauros” nos cinemas.

O fóssil, cujo nome científico é espécie Uberabatrachus carvalhoi, foi encontrado em 2002, num bloco de rocha, ao norte do CCCP/UFTM em Peirópolis. Durante a preparação da rocha, no laboratório,  os pesquisadores descobriram o material estava agrupado com outro exemplar fóssil de um dinossauro. 

As informações sobre a espécie foram publicadas em 2012 em um trabalho em conjunto entre pesquisadores do CCCP/UFTM e do Museo Argentino de Ciencias Naturales de Buenos Aires, que na época foram convidados para estudar o exemplar encontrado. A descoberta foi publicada na revista internacional Gondwana Research no mesmo ano.

O nome da espécie Uberabatrachus carvalhoi é uma homenagem ao paleontólogo da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Ismar de Sousa Carvalho, que realizou em parceria com o CCCP/UFTM diversos trabalhos na descrição de espécies fósseis.

“Ele foi o responsável pela descrição de diversas espécies descobertas aqui na região de Uberaba. Esta foi uma forma de homenagear uma pessoa que colaborou ativamente com as pesquisas do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis”, afirmou o geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro. A espécie de rã tinha cerca de oito centímetros de comprimento, possuía cabeça grande, curta e larga. Vivia em lagoas e córregos e se alimentava de pequenos insetos, larvas, e outros invertebrados. As características da espécie são semelhantes às encontradas em rãs e sapos neotropicais atuais.

“Assim como os anfíbios viventes, a espécie tinha uma membrana timpânica grande perto dos olhos que capitava as vibrações sonoras do ambiente. Os membros eram adaptados para saltar grandes distâncias e seus olhos possuíam uma membrana protetora e retrátil, chamada membrana nictante, que mantinha a umidade. Além disso, a espécie possuía uma extensa língua retrátil e pegajosa capaz de capturar sua presa instantaneamente", afirmou o professor e também supervisor do CCCP/UFTM, Thiago Marinho.

A reconstrução em vida da espécie em exposição no CCCP/UFTM foi realizada pelo paleoartista  Rodolfo Nogueira. Já a réplica do esqueleto foi confeccionada pelo paleontólogo argentino e pesquisador associado ao CCCP/UFTM Agustín Martinelli. Todo o material ficará em exposição permanente no Museu dos Dinossauros.

O fóssil e o exemplar da reconstrução da espécie estarão em exposição nas dependências administrativas do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis – CCCP/UFTM com visitação de terças a sextas das 8h às 17h, e sábados, domingos e feriados das 8h às 17h30.

As reconstruções de Uberabatrachus carvalhoi foram desenvolvidas no âmbito de projeto coordenado pelo Prof. Vicente de Paula Antunes Teixeira, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - Fapemig e Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba - Funep e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.  

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