Casa Branca abre suas portas à imprensa cubana após 50 anos

Jornalistas puderam cobrir reunião bilateral e fazer entrevista com Josh Earnest

iG Minas Gerais |

‘Welcome’. 
“Bem-vinda aos Estados Unidos e à Casa Branca”, disse o porta-voz Josh Earnest ontem
NICHOLAS KAMM
‘Welcome’. “Bem-vinda aos Estados Unidos e à Casa Branca”, disse o porta-voz Josh Earnest ontem

Washington, EUA. A entrevista coletiva diária na Casa Branca com o porta-voz Josh Earnest teve um momento inédito em meio século, nesta quinta, com a participação de vários jornalistas de veículos cubanos, presentes em Washington para acompanhar uma reunião bilateral de alto nível.

“Isso é excelente. Bem-vinda aos Estados Unidos e à Casa Branca!”, saudou Earnest, do púlpito, falando com a jornalista da televisão nacional cubana Cristina Escobar.

Earnest disse não estar “certo de quando foi a última vez” que um porta-voz oficial da Casa Branca respondeu a perguntas de representantes da imprensa cubana. Diante da presença dos repórteres cubanos na sala de coletivas, um jornalista local relatou a situação a Earnest e lhes cedeu a vez para fazerem uma pergunta.

Na entrevista coletiva desta quinta, Earnest reiterou que o presidente Barack Obama “desfrutará da oportunidade de visitar a Ilha de Cuba, e Havana em particular”.

Vários passos devem ser dados, porém, até que isso aconteça. “Se há uma pessoa em particular que espera a visita do presidente Obama a Havana em um futuro próximo, essa pessoa é o próprio presidente Obama”, disse o porta-voz da Casa Branca aos jornalistas cubanos.

Earnest lembrou que “o presidente Obama, como ele disse ao presidente (Raúl) Castro, está interessado em romper algumas das barreiras que permanecem entre os nossos dois países”.

O porta-voz da Presidência frisou que qualquer mudança decorrente dessa nova política em Cuba “é algo que os cubanos vão determinar”.

O encontro. Nessa nova rodada de negociações, diplomatas dos dois países discutiram temas pendentes e avançaram no restabelecimento de suas relações diplomáticas e a eventual reabertura das embaixadas.

A equipe cubana é liderada pela diplomata Josefina Vidal, diretora da divisão dos Estados Unidos na chancelaria, enquanto a norte-americana é conduzida por Roberta Jacobson, subsecretária de Estado para o hemisfério Ocidental.

Desde o anúncio em 17 de dezembro da decisão dos dois países de iniciar o processo de restabelecimento das relações, Vidal e Jacobson conduziram todas as reuniões de alto nível.

Pendências

Temas. Washington e Havana tentam resolver temas pendentes de logística que permitam anunciar o restabelecimento de suas relações bilaterais, para então proceder com a reabertura das embaixadas.

Colômbia Os diálogos de paz sobre a Colômbia foram retomados em Havana, com uma homenagem dos delegados do governo a uma menina indígena morta na véspera na explosão de uma mina pelas Farc, enquanto se prepara o início de um programa de retirada desses explosivos. “De Havana, enviamos uma mensagem de solidariedade à família da menina Ingrid Guejía Guecio, 7, morta pela explosão de uma mina”, declarou à imprensa o chefe negociador do governo, Humberto de la Call.

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