Em busca da humanidade perdida

Longa dirigido por Steven Spielberg em 1998 venceu cinco Oscars e revitalizou o gênero no cinema

iG Minas Gerais | daniel oliveira |

Trinta minutos iniciais do filme redefiniram como a guerra é vista no cinema
Paramount
Trinta minutos iniciais do filme redefiniram como a guerra é vista no cinema

Filmes de guerra são um dos gêneros mais antigos do cinema. A narrativa clássica praticamente começou com um deles, em “O Nascimento de uma Nação”, de 1915. Por isso, sempre existiu uma ideia bem clara de como uma guerra, e especialmente a Segunda Guerra, era vista no cinema. Como ela parecia e como deveria ser filmada.

E então vieram os trinta minutos iniciais de “O Resgate do Soldado Ryan” em 1998. Eles eram inesperados – especialmente levando em conta de onde vinham, Steven Spielberg – sujos, ensurdecedores, confusos, assustadores, desnorteantes, desesperados. Você era jogado no meio do Dia D como os soldados em 1944 e, assim como eles, não havia tempo para respirar.

E tudo mudou. O longa que o Clássicos Cinemark exibe neste fim de semana mereceria ser visto apenas por esta aula de realização em seus minutos iniciais. Mas quase 20 anos depois, ele ainda se sustenta como uma das obras mais completas e coerentes de seu prolífico realizador.

A trama gira em torno de um pelotão, liderado pelo capitão Miller (Tom Hanks), encarregado de resgatar o soldado do título (Matt Damon), cujos dois irmãos pereceram em combate. Se Francis Ford Coppola filosofou em “Apocalipse Now” como o homem se perde na guerra e não há mais como encontrá-lo, seu amigo Spielberg recruta o mais humano dos homens do cinema norte-americano para provar que existe esperança, sim.

“O Resgate do Soldado Ryan” é um tratado sobre a possibilidade de sobrevivência do espírito humano frente aos horrores do que ele provou ser capaz durante a guerra. Uma jornada à la “Ilíada” em que aquele pelotão luta para acreditar que é possível voltar para casa.

Sim, tem alguns momentos do exagero spielbergiano. Mas é um dos filmes mais contidos do cineasta, que venceu o Oscar de direção pela produção. O longa, no entanto, perdeu melhor filme para o insosso “Shakespeare Apaixonado”, em mais uma prova de que as grandes obras são feitas para a posteridade, e não para a Academia.

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