Discutindo a marginalidade

Projeto do Cine 104 traz diretor Andrea Tonacci a BH neste fim de semana para mostra e encontro com público

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

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Divulgação
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[NORMAL_A]Já há algum tempo, o programador do Cine 104 Daniel Queiroz vem convidando diretores nacionais com lançamentos em exibição na sala para virem a Belo Horizonte discutir suas obras com o público. Desde o mês passado, com a vinda de Adirley Queirós para conversar sobre “Branco Sai, Preto Fica”, esse espaço ganhou o nome oficial de Encontro com Realizadores. E neste fim de semana, o projeto deixa de se pautar pelas estreias em cartaz e traz à capital o cineasta Andrea Tonacci, ícone da realização marginal, independente e experimental no Brasil.

“Ele se destacou no cinema marginal, mas é um cara que atravessou várias gerações e dialogou com todas elas”, avalia Daniel Queiroz. É essa jornada de 50 anos por trás das câmeras que o Cine 104 exibe na mostra, que começa hoje, às 21h, com a exibição de “Bang Bang”, e segue paralela ao Encontro com Tonacci, que acontece sábado e domingo à tarde – as inscrições podem ser feitas online (veja link no quadro) até amanhã de manhã.

“A gente espera muitos estudantes de cinema, mas não é só para eles, e sim para todo mundo que tem vontade de entender um pouco mais sobre realização e o que acontece por trás dos filmes”, explica Queiroz. Além de “Bang Bang”, um dos maiores clássicos do cinema marginal, filmado na Belo Horizonte dos anos 70, a mostra vai dos curtas realizados por Tonacci nos anos 60, como “Olho por Olho” e “Blá Blá Blá”, até o recente “Já Visto Jamais Visto”, de 2013.

A seleção cobre ainda as obras mais politizadas do cineasta, que trabalha intimamente com os indígenas brasileiros, incluindo “Serras da Desordem” e “Conversas no Maranhão”. Esse último, assim como “Já Visto Jamais Visto”, contará com o comentário de Tonacci após a sessão.

“Ele não queria que chamasse de ‘curso’ de jeito nenhum porque não acredita na relação hierárquica entre aluno e professor. O que poderia e se dispôs a fazer é falar sobre sua obra e seu processo de realização”, descreve o programador. Ao destrinchar esse processo, de acordo com a ementa escrita pelo próprio Tonacci, o diretor pretende abordar as “motivações de meus filmes, a responsabilidade em cometê-los, a imprevisibilidade das consequências e a experiência do cinema como processo de busca, conhecimento e revelação”.

Dentro do projeto Encontro com Realizadores, Daniel Queiroz adianta que já está prevista a vinda de Paula Gaitán, em agosto, e Hernani Heffner, um dos maiores especialistas em preservação cinematográfica no país, no dia 6 de junho. “Ele não é realizador, mas é um encontro voltado especialmente para diretores e produtores, porque ele vai falar da preservação de filmes em formato digital, algo em que as pessoas ainda não estão pensando”, antecipa o programador.

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