Motos esquecidas em garagem

Treze veículos doados ao Estado pela União para prevenir doença estão parados desde 2013

iG Minas Gerais | Nathália Lacerda |

Descaso. Paradas há dois anos, motos poderiam ajudar no trabalho de agentes que combatem a dengue
JOAO GODINHO / O TEMPO
Descaso. Paradas há dois anos, motos poderiam ajudar no trabalho de agentes que combatem a dengue

Toda ajuda é bem-vinda no combate ao mosquito Aedes aegypti, que nos primeiros cinco primeiros meses deste ano provocou a doença em pelo menos 32.323 pessoas em Minas – 65% do total de 2014. No entanto, ao menos 18 motocicletas novas, doadas pelo Ministério da Saúde ao Estado para serem empregadas na luta contra a doença, estão paradas em garagem no centro da capital desde 2013. O espaço é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que alega que os veículos estão sem uso desde a gestão anterior. A pasta afirmou que apenas 13 motos seriam empregadas para combater a dengue e que está “tomando providências necessárias” ao destino os veículos. Em nota, a gestão anterior informou que os veículos estavam prontos para uso desde o início de 2014, mas não esclareceu o motivo da não utilização. Segundo o último balanço da SES, divulgado há uma semana, 17 mortes pela doença foram confirmadas no Estado. Em 2014, foram 51 óbitos e 49.360 casos. A secretaria informou que realiza ações permanentes de combate e controle da doença. As motocicletas paradas na garagem estão sujas e empoeiradas. Elas fazem parte de um acervo de 120 veículos a serviço da SES, que atendem 28 regionais do Estado. Um funcionário da garagem, que pediu para não ser identificado, garantiu que só as motos estão paradas e que outros veículos, como carros e caminhões, estão circulando normalmente. “Os quatro caminhões usados para transportar veneno da dengue estão em uso. Mas a demanda não é tão alta, por isso eles ficam estacionados aqui. Os outros carros só estão plotados com adesivos que incentivam combate à dengue”. “Acho um absurdo ver as motos aqui. O Estado deveria usar todos os recursos para combater o mosquito”, disse a vendedora Cíntia Pereira Santos, 40, que passa em frente ao espaço diariamente e tem, em casa, em Contagem, três parentes com dengue. Procurado, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Leonardo Barbabela, afirmou que acompanha o caso, mas que precisa ser provocado para tomar alguma medida. “A investigação será instaurada assim que o Ministério Público receber a denúncia formalmente. Se ficar comprovado que houve negligência do poder público, a administração será notificada. A lei determina sanções e multas nestes casos”, disse. Análise. O virologista Flávio Fonseca destacou que o principal motivo para alta no número de casos neste ano é o aumento da população suscetível à doença nos anos anteriores. “Como houve uma baixa nos casos nos dois anos anteriores, aumentou o número da população que não tem resistência. Infelizmente não tem muito o que fazer, pois não existe remédio ou vacina contra a dengue. A responsabilidade tem que ser divida com a população”.

Ambulâncias paradas Santa Luzia. Em 8 de janeiro deste ano, O TEMPO mostrou que 19 ambulâncias do Samu estavam paradas em um pátio da Prefeitura de Santa Luzia, na região metropolitana, desde o fim da Copa do Mundo, em julho. Os veículos estavam se deteriorando, expostos ao sol e à chuva, podendo acumular focos do mosquito da dengue. Os carros deveriam estar em atuação na Rede de Urgência e Emergência Macro Centro, em fase de planejamento pelo governo de Minas. Ribeirão das Neves. Já em reportagem em 21 de março, foi mostrado que oito ambulâncias com o emblema do Estado estavam largadas em um lote no bairro Jardim Guanabara, na região Norte da capital. Pelo menos cinco foram repassados à Prefeitura de Ribeirão das Neves. Os demais não tiveram procedência identificada. Respostas. Em nota, a Prefeitura de Santa Luzia informou que as 19 ambulâncias ainda estão paradas e que apenas cedeu o espaço para o governo do Estado. Já a Prefeitura de Ribeirão das Neves afirmou que sete ambulâncias ainda estão paradas aguardando a homologação de um contrato com a oficina que dará manutenção nos veículos, o que deve ocorrer nos próximos dez dias.

Em nota, O PSDB e PP de Minas Gerais, se posicionaram:

Em 2013 as motos referidas foram doadas pelo Ministério da Saúde e, no início de 2014, foi finalizado o trâmite burocrático de documentação. Os veículos estavam, portanto, preparados para atender as prefeituras no início deste ano, período de verão no qual há maior infestação do mosquito, em que o trabalho de prevenção e fiscalização precisa ser redobrado. Cabe ao atual governo responder porque as motos não foram utilizadas até agora.

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