Crise hídrica de 2015 pode ser a mais grave dos últimos anos

Revitalização do rio custaria R$ 8 bilhões, informam membros do Comitê de Bacia

iG Minas Gerais | Litza Mattos* |

Mais de uma década se passou após umas das crises hídricas mais rigorosas que o país já viveu - a de 2001 - e se depender das estimativas do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), este será um ano em que a história irá se repetir de forma ainda mais severa. A previsão foi anunciada, ontem, durante o lançamento da campanha "Eu viro Carranca para defender o Velho Chico" que visa promover uma mobilização nacional para chamar a atenção da sociedade até o dia 3 de junho, quando é celebrado o Dia Nacional em Defesa do Velho Chico. Coordenador da câmara do alto São Francisco no Estado, Márcio Pedrosa, acredita que revitalizar e preservar a bacia sejam as ações mais urgentes, mas que para que isso seja feito, seriam gastos, pelo menos R$ 8 bilhões. "Não temos outra saída. No ano passado a represa de Três Marias chegou a não gerar energia. Em maio, estava com 26% do seu volume útil e em novembro caiu para 2,6%. Neste ano, com um trabalho de aproximação feito com a Cemig e com um volume de chuva abaixo do esperado, hoje Três Marias está com 38% e deve chegar entre 7% a 10% em novembro. A estiagem de 2015 ser a mais grave dos últimos anos, sendo que 2014 já superou 2001. Estudos mostram que até um ano atrás ainda estávamos pagando tudo o que aconteceu no apagão de 2001 e 2002", disse Pedrosa. Para tentar amenizar o problema, o secretário do comitê do São Francisco, José Maciel, disse que já está sendo estudada a possibilidade de se diminuir a vazão da bacia do rio São Francisco de 1000 metros cúbicos por segundo, para apenas 900 metros cúbicos até o início de junho, a partir de Sobradinho. "Se compararmos a situação atual com as secas históricas, o cenário não é dos melhores. Tivemos, em 2001, um dos piores cenário na bacia do São Francisco, mas não tivemos a vazão diminuída participamos de uma reunião hoje (ontem) e em breve devem começar os testes para a redução da vazão", afirmou. Num cenário em curto prazo, a baixa na vazão tornaria inviável a transposição, cujas obras ainda não foram concluídas pelo governo federal, avaliam membros do comitê. "O momento atual é muito dramático. Há muito se falava das mudanças climáticas e as pessoas estavam céticas em torno disso. A bacia (do rio São Francisco) está vivendo um drama principalmente com o advento do novo século. Uma crise parecida com essa ocorreu em 2001, não esperávamos que em 2013, 2014 e 2015 fosse mais dramática. A população da Bacia do Rio São Francisco é acostumada a conviver com a estiagem, mas não em situação tão extrema. As condições climáticas se agravaram, assim como o uso irracional, o desmatamento e a degradação ambiental. O cenário futuro não é muito animador", afirmou Anivaldo de Miranda, presidente do CBHSF.

Situação atual do volume útil dos reservatórios: Três Marias: 38% Sobradino: 21% Itaparica: 15%

Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco: - Corresponde a 8% do território nacional - Vivem 15,5 milhões de brasileiros, 8,5% da população do país - O Velho Chico: é maior rio genuinamente brasileiro, com 2.863 km - Nasce na Serra da Canastra, em Minas Gerais e atravessa seis estados (Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) até desaguar no oceano Atlântico. - Percorre 507 municípios * A repórter viajou a convite do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF)

Leia tudo sobre: crise hídricario são francusco