Seja tudo, nada mais ou menos!

iG Minas Gerais |

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Hélvio
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Já reparou que andamos sempre sem tempo, sempre atrasados, sempre correndo pra ver se dá tempo de riscar mais um compromisso da agenda? Eu não sei como era antigamente, mas sei que sinto saudades de um tempo que eu nunca vivi. Desde a época de menino, sempre andava correndo, ou melhor, sempre corria. Corria ao sair da escola para ver o desenho preferido em casa. Corria com o dever de casa pra brincar de pique-esconde fora dela. Corria do banho no frio. Corria pra quadra de educação física. Corria das chineladas da minha mãe por não ter feito o dever com calma. Corria...

Hoje em dia, continuo correndo. No trabalho sou um velocista. Na vida pessoal, um maratonista. Temos a insensata mania de abraçar o mundo diariamente quando ele nem sempre nos devolve o afeto. Assim, corremos com o café, com o almoço e com o jantar, pois nunca temos tempo para esse deleitar. Corremos pra levar o filho na escola, anotamos tudo na agenda porque não cabe mais na caixola, trocamos o suco pela Coca-Cola. Corremos pra chegar a tempo ao cinema, pra aula de natação, pra aquela importante reunião. É assim todo dia, não adianta surtar, ou simplesmente achar que não. No fim do dia, você acredita que deu conta do recado, mas, na verdade, tudo isso é a triste ilusão.

Tem um pensamento do ilustre mineiro Chico Xavier que demonstra justamente essa falta de tempo com nós mesmos, essa rotina chata de querermos fazer tudo ao mesmo tempo, justamente pra dar tempo para investirmos em algo mais, esse jeito abastado do ser humano de não ser inteiramente completo, sempre o culpando, o tempo. “A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos... Tudo bem! O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos”.

Pode acreditar, não é só você: ninguém quer ser uma pessoa mais ou menos. Fomos feitos para amar completamente, e não para dizer um vazio “eu te amo” pelo WhatsApp enquanto passa correndo pela catraca do ônibus e volta mais correndo ainda pra tela de e-mail do celular a fim de resolver a pendência do trabalho. Fomos feitos para amar integralmente, para levar café na cama, acarinhar, dizer que ama olhando nos olhos, deitar, não ver a hora passar, e de novo acarinhar.

Vivemos num mundo que nos força cada vez mais a ligeireza. Que nos instiga a rapidez. Que nos deixa sem fôlego por correr demais, ter compromissos demais, trabalhar demais. Às vezes, é necessário um descanso, uns dias de férias pra você fugir desse “eu” mais ou menos, respirar, sentir e voltar ao “eu” de amor integral. Não adianta correr com o tempo se é você o tempo mais importante que você tem. Como diria o já citado mestre Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

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