Ganhando forma

iG Minas Gerais |

O governo Fernando Pimentel (PT), enfim, vai ganhando cara própria. Entre erros e acertos, a nova gestão vai deixando para trás a ladainha (legítima) dos problemas herdados das administrações anteriores e definindo sua política. O grande acerto até agora foi a reconciliação com os servidores da educação – com o pagamento do piso nacional para os professores (R$ 1.917,78) de forma gradativa até 2017, um reajuste de 31,7%, além de pôr fim ao subsídio e instituir esse valor como vencimento básico. A decisão de certa forma condiz com o discurso até agora do governo eleito, priorizando o pagamento do funcionalismo em detrimento de grandes obras bancadas pelo Estado. Essas, como deixou claro também o anúncio feito anteontem a respeito da intenção de privatizar toda a malha viária, só devem sair do papel em parceria com a iniciativa privada. No caso da MGs, são mais de 25 mil quilômetros a serem entregues para concessão. Diante da falta de recurso do caixa do Estado, pode ser uma boa notícia, mas causa estranheza o fato de o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), ofertando a malha rodoviária estadual, ter sido divulgado sem nenhuma diretriz por parte do governo. Ou seja, fazendo uma leitura direta mesmo correndo o risco de ser simplista, ficará a cargo do setor privado não apenas executar as obras, como também definir quais serão as intervenções. Essa participação da iniciativa privada deverá se estender por outras áreas, como o sistema prisional, por exemplo, se depender da vontade do próprio governador. Ele, aliás, classificou como um erro grave as gestões anteriores terem assumido sozinhas gastos que poderiam ter sido compartilhados com o setor privado. Exemplo, a Sala Minas Gerais, “casa” da orquestra filarmônica, bancada com dinheiro da Companhia de Desenvolvimento do Estado (Codemig) ao custo de quase R$ 300 milhões. Na visão de Pimentel e de sua equipe, obras como essa têm potencial e só podem sair do papel com o apoio de instituições de fora do governo. As críticas recebidas pelo “desinvestimento” do atual governo na área de cultura, de certa forma, fazem jus ao perfil da gestão Pimentel. Sem dinheiro em caixa, o governador tem sido e vai continuar sendo pragmático, ou seja, elegendo prioridades de onde e como gastar, e a área cultural, pelo menos até agora, não está entre os pontos prioritários deste governo. Enfim, para o bem ou para o mal, após cinco meses já é possível delinear o perfil da gestão Pimentel e, inclusive, um certo descompasso na área de comunicação de algumas secretarias e empresas estatais. O discurso de secretários e dirigentes dessas companhias, muitas vezes, não tem batido com as informações divulgadas pelas assessorias. Ou os secretários têm falado demais, ou, pela ótica dos assessores, eles desconhecem a realidade do Estado.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave