Bancos dificultam crédito e procura por financeiras dispara

Operações de empréstimos fora das instituições bancárias crescem 145% neste ano no Estado

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Pesquisa. Servidor público Anderson Lopes ainda está na fase de pesquisa para requerer empréstimo
DENILTON DIAS / O TEMPO
Pesquisa. Servidor público Anderson Lopes ainda está na fase de pesquisa para requerer empréstimo

Com o aumento das restrições ao crédito, os consumidores têm procurado cada vez mais as financeiras. Levantamento da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio-MG) revela que, em relação ao ano passado, enquanto o total de pessoas que apontam os bancos e cartões como principal compromisso financeiro caiu, o volume de consumidores com a renda comprometida com as financeiras mais do que dobrou em 2015.

No primeiro quadrimestre deste ano, 2,7% dos pesquisados tiveram as financeiras como principal dívida. No mesmo período de 2014, a fatia era de apenas 1,1%. Um aumento de 145%. No mesmo período, a fatia de banco caiu de 4,4% para 3,5%, e a dos cartões recuou de 72,1% para 69,2%.

“Além de estar mais difícil conseguir crédito nos bancos, que estão reduzindo os limites de empréstimos, as financeiras oferecem prazos maiores e, muitas vezes, nem sequer consultam se o nome da pessoa está negativado”, explica a supervisora de estudos econômicos da Fecomércio, Luana Oliveira.

A pensionista Kátia de Oliveira Chaves, 49, já recorreu a empréstimos em bancos. No entanto, depois de ter restrições de crédito, ela procurou uma financeira. “No banco, eu parcelei em 24 vezes e na financeira pude dividir em até 72 meses. As parcelas são menores e não pesam no orçamento”, justifica a pensionista.

O servidor público Anderson Lopes, 39, ainda está na fase da pesquisa, mas já sabe que as condições das financeiras são mais atrativas no momento. “O prazo é bem maior. Se o banco oferece um empréstimo em 12 vezes, na financeira chega a 80 meses”, destaca.

A pedido do jornal O TEMPO, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) simulou quanto sairia um empréstimo de R$ 5.000 em 72 meses. As financeiras têm juros maiores do que o empréstimo pessoal e o consignando, mas menores do que o cartão de crédito e cheque especial.

Nas financeiras, com juros mensais de 7,54%, a prestação seria de R$ 379,02 e, ao fim do prazo, os R$ 5.000 subiriam para R$ 27.289,44. . No empréstimo pessoal, os juros médios são de 4% e, ao fim do prazo, o consumidor pagaria R$ 15.308. No cartão de crédito, que tem juros mensais de 12,14%, a parcela seria de R$ 607,16 e, ao fim de seis anos, a dívida chegaria a R$ 43.715,52.

“Os juros das financeiras são menores do que os do cartão e do cheque especial porque são linhas pré-aprovadas”, justifica o diretor executivo da Anefac, José Miguel Ribeiro. O dono da financeira Cred Fácil, Flávio Vieira, observa que o que tem atraído a clientela são os juros menores, principalmente os do consignado. Segundo ele, a grande maioria que chega em busca de crédito está com o nome sujo. “De dez clientes que batem aqui, sete estão com alguma restrição. No banco, eles não conseguiriam liberação”, diz.

Consignado Ao mês. Segundo o Banco Central, os juros do consignado variam de 1,77% a 2,23% para o INSS; de 1,18% a 6,38% para público; e de 1,62% a 5,54% para privado.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave