Canja de Chico e Madeleine

Bar Semente, no Rio, recebe no mesmo dia o brasileiro e a norte-americana

iG Minas Gerais |

Tranquilo. Chico Buarque estava à vontade na noite de terça-feira, quando surgiu em bar da Lapa carioca e cantou algumas músicas com o músico Moyseis Marques
Daryan Dornelles/Divulgação
Tranquilo. Chico Buarque estava à vontade na noite de terça-feira, quando surgiu em bar da Lapa carioca e cantou algumas músicas com o músico Moyseis Marques

Rio de Janeiro. De presença inesperada, Chico Buarque já pode ser considerado frequentador do Bar Semente, na Lapa carioca. Em fevereiro, fez uma aparição-sensação num show instrumental, subindo ao palco para cantar três músicas. Na última terça-feira (19), a canja foi dividida com a (então) atração da noite, o cantor Moyseis Marques, um dos expoentes da geração de artistas que fizeram nome nas casas do bairro.

O público ainda foi surpreendido pela chegada da cantora norte-americana Madeleine Peyroux, que saiu de seu show no Teatro Municipal, perto dali, para conhecer a tradição da região boêmia do Rio. Acompanhada de seu baixista e seu guitarrista, Madeleine cantou jazz e “Água de Beber” (Tom Jobim/Vinicius de Moraes), que incorporou ao repertório apresentado em sua passagem pelo Brasil. Tanto ela quanto Chico se deixaram filmar e posaram para fotos, sorridentes e à vontade.

O compositor chegou por volta das 21h30 com as filhas Helena e Luísa e amigos para ver Moyseis cantar. Conhece bem seu trabalho: ele é protagonista da “Ópera do Malandro”, seu musical de 1978, atualmente em cartaz em montagem do diretor João Falcão. A performance de Chico no Semente começou depois que Moyseis cantou “Dura na Queda”, do repertório mais recente do compositor.

Encerrando seu set, Moyseis agradeceu a presença e brincou: “A gente tem que fingir naturalidade porque o autor está aqui”. Foi a senha para Chico entrar em cena e provocar: “Vocês estão achando que minha canja é de graça? Eu quero ver você e o Alfredo (Del-Penho, cantor) cantando ‘Doze Anos’”, convocou, referindo-se a uma das canções da “Ópera”.

No Semente – que experimentou um aumento de público desde que correu a notícia da canja de fevereiro –, Chico demonstrou também desprendimento. Moyseis lhe entregou o violão e eles dividiram “Aquela Mulher”, mesma escolha da primeira canja. O jovem, embevecido, o mestre, puro despojamento.

O violão vazado, sem corpo, ao qual não está acostumado, o atrapalhou, e Chico pediu desculpas algumas vezes por errar a própria música. Emendou com o samba “Injuriado”. Em seguida, recrutou Alfredo e se esquivou de seguir no palco: “Agora eu quero só ouvir”.

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