Rio das Velhas está com volume de água preocupante

Metas de redução de consumo e obras não saíram do papel

iG Minas Gerais | ANGÉLICA DINIZ |


Igam decretou ontem estado de atenção para o rio das Velhas
DANIEL DE CERQUEIRA
Igam decretou ontem estado de atenção para o rio das Velhas

Quatro meses após o governador Fernando Pimentel (PT) ter declarado que Minas poderia sofrer um racionamento severo em até 90 dias, pouca coisa foi feita no período. De lá para cá, a população não economizou os 30% no consumo de água pedidos pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), os índices do Caça-Gotas, de combate aos 40% de desperdício de água na distribuição, não foram divulgados, e os recursos prometidos pelo governo federal, da ordem de R$ 800 milhões, para obras de emergência contra a crise hídrica, ainda não foram liberados.

A obra considerada emergencial pelo governo de Minas de captação de cinco m³ por segundo do rio Paraopeba para a Estação de Tratamento do Rio Manso, que seria executada com recursos do governo federal, ganhou um aporte de R$ 128,4 milhões do próprio Estado, mas, segundo confirmou a Copasa, até hoje não foi iniciada.

Enquanto isso, após a escassez hídrica decretada no Sistema Paraopeba, que nesta quinta registrava 38,6% e que vem caindo a cada dia, agora foi a vez de o rio das Velhas acender o sinal de alerta. Responsável pelo abastecimento de 47% da região metropolitana de Belo Horizonte, o Velhas entrou em “estado de atenção” por apresentar baixa vazão nos últimos sete dias. De acordo com o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), as estações que estão em estado de atenção são Santo Hipólito e Honório Bicalho, que abrangem os municípios de Belo Horizonte, Nova Lima, Itabirito, Sabará, Rio Acima e Raposos.

Conforme a Deliberação Normativa 49/2015, do Igam, um corpo d’água entra em estado de atenção quando apresenta vazões inferiores a 200% do nível mais baixo medido nos últimos dez anos, em sete dias consecutivos, o chamado índice Q710. Essa taxa para o rio das Velhas é de 20,5 metros cúbicos por segundo (20,5 m³/s). Esse estágio ainda não determina a restrição de uso do manancial, mas se aproxima do estado de alerta, quando a média das vazões diárias de sete dias consecutivos forem inferiores a 100% da Q710, o que antecede o estado de restrição. Como o Rio das Velhas não tem reservatório, a falta de chuvas no manancial agrava mais ainda a situação.

Vazões

Site. O Igam promete disponibilizar hoje no site informações do monitoramento realizado nas bacias em Minas. Poderão ser consultados mapas e vazões registradas em todo o Estado.

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