Em protesto contra estupro, aluna leva colchão à formatura

Após investigação, Universidade de Columbia inocentou suspeito de abuso

iG Minas Gerais |

Nada de oficial foi tratado ontem entre Deco e o Villa Nova
Andrew Burton
Nada de oficial foi tratado ontem entre Deco e o Villa Nova

RIO de Janeiro. Uma estudante da Universidade de Columbia, em Nova York, que carrega um colchão por todo o campus para chamar atenção para os abusos sexuais dentro da instituição se formou nesta semana, é claro, com o colchão debaixo do braço.

Emma Sulkowicz, que diz ter sido estuprada no primeiro dia de aula de seu segundo ano na instituição, subiu ao palco para receber seu diploma junto com o colchão e foi aplaudida pela turma.

A manifestação silenciosa de Emma começou quando o caso contra seu abusador foi arquivado pela universidade, e o suposto estuprador foi autorizado a permanecer na escola. Como parte de seu projeto de conclusão na faculdade de artes visuais, a aluna criou uma performance chamada “carry that weight” (carregue aquele peso), propondo-se a levar o colchão no qual ocorreu o abuso aonde quer que fosse durante todo o tempo em que tivesse que conviver com seu estuprador na mesma escola.

O jornal da universidade, o “Columbia Daily Spectator”, noticiou, na segunda-feira, que a instituição havia enviado um e-mail aos formandos avisando que “os graduandos não devem trazer para a área cerimonial grandes objetos que possam interferir no processo ou criar desconforto para os outros em espaços compartilhados por milhares de pessoas”.

De acordo com o diário, a regra nunca havia sido implementada nas cerimônias da universidade e, por isso, alguns estudantes questionaram se a norma teria sido criada para impedir que Emma levasse o colchão para sua colação.

Teo Armus, um repórter do “Columbia Daily Spectator”, informou que, antes da cerimônia de formatura de Emma, um funcionário da escola pediu à garota que deixasse seu colchão em um armário e o buscasse ao fim do evento. Apesar das tentativas de dissuasão, a estudante foi autorizada a levar seu protesto ao palco. O patrono da turma, o prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, chegou a fazer uma menção a Emma em seu discurso: “Vocês assumiram opiniões contrárias, realizaram protestos, carregaram colchões. Nunca deixem de ser estudantes e nunca deixem de ser ativistas”, disse Garcetti aos estudantes.

ACUSADO. Depois que a performance artística de Emma ganhou atenção da mídia nacional e internacional, o aluno acusado por ela, Paul Nungesser, entrou com um “processo de difamação baseado em gênero” contra a universidade.

Ele alega que a instituição apoia o projeto de Emma, que, segundo o acusado, “resultou em uma atmosfera de estudo intimidadora, hostil e humilhante”. A ação também afirma que as perspectivas de Nungesser conseguir um emprego foram “seriamente comprometidas”, e que seus pais, que vivem na Alemanha, não poderiam assistir à colação do estudante porque a aluna pretendia levar o colchão ao evento.

Chega ao fim

Fim. Após a formatura, a expectativa é que Emma Sulkowicz deixe de carregar o colchão, uma vez que a proposta era carregar o objeto “enquanto estudasse no mesmo lugar que o estuprador”.

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