Arquivos revelam obsessões e até carta de amor de bin Laden

EUA divulgam documentos apreendidos em 2011 na operação que matou líder radical

iG Minas Gerais |

Histórias. 
Foram publicados 103 papéis e vídeos  sobre o autor do ataque de 11 de Setembro
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Histórias. Foram publicados 103 papéis e vídeos sobre o autor do ataque de 11 de Setembro

Washington, EUA. Durante os vários anos em que viveu escondido, Osama bin Laden pedia a seus seguidores que se concentrassem em atacar os norte-americanos e escrevia cartas “agridoces” para uma de suas mulheres e seus filhos, segundo documentos divulgados nesta quarta por funcionários de inteligência dos Estados Unidos.

Os documentos foram apreendidos em 2011 no local onde vivia o líder da Al Qaeda, em Abbottabad, no Paquistão, na operação em que Bin Laden foi morto. Mais de cem deles foram publicados.

A documentação conta com um questionário para os aspirantes ao terrorismo, incluindo questões sobre a educação e os hobbies, além de perguntar: “Você gostaria de executar uma operação suicida?”. E, por fim: “Quem nós devemos contatar no caso de você se tornar um mártir?”

A segurança era uma obsessão. “Antes que Hamzah (uma de suas esposas) chegue aqui, é preciso que ela abandone tudo, inclusive roupas, livros e tudo o que possua, no Irã. Tudo o que uma agulha possa penetrar”, escreveu antes de explicar que “foram desenvolvidos dispositivos para espionagem tão minúsculos que podem ser escondidos em uma seringa”.

Antes de morrer, Bin Laden planejava levar seu filho preferido, Hamza, hoje com 25 anos, ao seu complexo em Abbottabad para prepará-lo como seu sucessor.

No total, os 103 papéis e vídeos acrescentam novas camadas à figura mundial do cérebro dos ataques terroristas de 11 de Setembro, muitas delas com as próprias palavras dele. O material inclui vídeos e imagens de cartas em árabe, com as traduções em inglês dos agentes de inteligência.

Tudo só foi divulgado após uma rigorosa revisão pelas agências do governo, como exigido por uma lei de 2014. Bin Laden pediu a seus seguidores da rede Al Qaeda que se concentrassem em atacar os Estados Unidos e evitassem uma luta interna entre muçulmanos.

Autoridades norte-americanas disseram na ocasião da morte que acreditavam que o terrorista havia ficado tão isolado em seu esconderijo que já não exercia o nível de controle sobre as operações da Al Qaeda que havia tido no passado. Em uma carta, o líder extremista ironiza a “guerra ao terror” do então presidente norte-americano George W. Bush, dizendo que não havia estabilidade, nem no Iraque, nem no Afeganistão, e questionando se as tropas dos EUA estavam “buscando o fantasma perdido” – as armas de destruição em massa no Iraque. Não há data na tradução para o inglês.

Em uma carta registrada em vídeo para uma de suas viúvas, Bin Laden falou sobre seu “último desejo”. “Saiba que você preenche meu coração com amor, memórias bonitas e seu prolongado sofrimento em situações tensas a fim de me agradar e ser boa para mim”, escreveu.

Derrotado O braço da Al Qaeda no Iraque, que mais tarde se transformaria no poderoso Estado Islâmico (EI), também aparece nos documentos. Bin Laden e seu então braço direito, Ayman al-Zawahri, receberam duras críticas em uma carta de seguidores iraquianos, que pediram uma denúncia do banho de sangue no país. O EI, que depois foi expulso da Al Qaeda, controla agora enormes áreas do território do Iraque e da Síria.

Milhares se refugiam em Bagdá Bagdá, Iraque. O governo do Iraque permitiu que milhares de pessoas que fugiram da violência na cidade de Ramadi, província de Anbar, entrassem em Bagdá. Segundo a Organização Internacional para as Imigrações, mais de 40 mil pessoas saíram da província de Anbar desde sexta-feira, quando o Estado Islâmico capturou Ramadi, que fica a cerca de 100 km de Bagdá. Os refugiados haviam sido impedidos de entrar na capital, pois havia o temor de que os militantes do grupo extremista poderiam se misturar a multidão e entrar na capital do país. Nesta quarta, os Estados Unidos anunciaram sua intenção de acelerar a formação das tribos sunitas para que ajudem a retomar a capital da maior província do Iraque das mãos dos terroristas.

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