Taxistas nas ruas por fim do Uber

Motoristas fizeram carreata alegando que aplicativo já causa perda de 30% no faturamento

iG Minas Gerais | Joana Suarez /Jhonny Cazetta |

Manifestação. Taxistas fizeram carreata da Pampulha até a Cidade Administrativa
Alex de Jesus
Manifestação. Taxistas fizeram carreata da Pampulha até a Cidade Administrativa

Em meio à dificuldade para encontrar táxis na rua, os carros executivos, confortáveis, com Wi-fi, revistas e disponíveis a um clique no celular, logo se tornaram uma opção aos taxistas. A própria categoria considera que a deficiência deles “abriu as portas” para os aplicativos de motoristas particulares. Agora, com o prejuízo no bolso, eles brigam pelo direito à exclusividade de transportar passageiros regularmente. Nesta quarta, a categoria fez uma carreata com mais de 300 veículos para protestar contra os clandestinos.

“A BHTrans (Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte) demorou muito para licitar mais táxis e, enquanto faltava taxista, a oportunidade foi aberta para os clandestinos, oferecendo conforto e tudo mais”, destacou o presidente da Associação dos Condutores Auxiliares de Táxi, José Estevão.

Conforme o Sindicato Intermunicipal dos Taxistas (Sincavir-MG), o Uber, principal aplicativo do setor, é responsável por uma queda de cerca de 30% no faturamento da categoria. A empresa não divulga o número de motoristas cadastrados, mas informou que apenas nesta quarta, enquanto os taxistas protestavam, o número de cadastro de condutores aumentou em três vezes, e o de usuários, dobrou.

“Isso reforça a importância da inovação e da geração de opções e oportunidades para a população”, declarou a empresa, em nota.

Bloqueio. Os taxistas querem o bloqueio judicial do Uber. Segundo o presidente do Sincavir, Ricardo Luiz Faedda, os motoristas não pagam os encargos sociais, que garantem uma “atividade regular e segura”. “Eles estão prejudicando aqueles que legalmente exercem sua profissão e pagam devidamente seus impostos”, destacou.

Desde janeiro, o Ministério Público de Minas (MPMG) investiga uma denúncia de concorrência desleal protocolada pelo sindicato. Procurada nesta quarta, a assessoria do órgão não soube sequer informar qual promotor está conduzindo a apuração.

Por enquanto, sem definição e sem ter a quem recorrer, os taxistas optaram pela carreata com buzinaço, pisca-alerta ligado e gritos pelo “fim dos clandestinos”. A manifestação começou em frente ao Mineirão, na Pampulha, e seguiu até a Cidade Administrativa, onde eles esperavam ser recebidos pelo governador Fernando Pimentel, mas foram atendidos pelo secretário de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares, que, por ora, só se mostrou solidário à causa.

“Se continuar assim, ninguém mais vai querer ser taxista, porque a perda está muito grande. Temos que ser respaldados de alguma forma, por governo e Justiça”, protestou o taxista Alexandre Santos, 43.

Trânsito

Fluxo. Na maior parte do trajeto, os taxistas não chegaram a fechar todas as faixas das vias. “Vivemos todo dia na rua e sabemos o quanto um congestionamento é estressante”, disse Ricardo Faedda.

Respostas

Governo.  Em nota, a Secretaria de Estado de Transporte e Obras informou que agirá contra motoristas clandestinos e para que seja respeitada a legislação que rege o transporte individual público de passageiros.

BHTrans.  Em nota, a autarquia informou que as permissões de táxi são delegações de serviço público, outorgadas por licitação. “Os táxis da cidade passam por vistoria para garantir a segurança do usuário. Para a BHTrans, para que um carro possa prestar serviço de transporte, é necessário que passe por esses trâmites”. Uber. A empresa não comentou o protesto, mas, por meio de nota, informou que reforça “seu compromisso em oferecer aos mineiros uma alternativa segura e confiável de mobilidade urbana”. A Uber defende ainda a inovação como uma maneira de melhorar o serviço prestado ao cidadão. “Ele precisa ter seu direito fundamental de escolha assegurado”.

Atuação. Sediada em San Francisco, na Califórnia, a Uber opera em 281 cidades de 57 países. O serviço já foi proibido na Alemanha e na Espanha, mas ganhou espaço nos EUA. Em São Paulo, é alvo de inquérito policial e investigação do Ministério Público Federal.

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