Justiça do RS manda reabrir inquérito sobre morte da mãe de Bernardo

Inquérito foi arquivado cerca de dois meses depois a pedido do Ministério Público, após a polícia concluir que ela se matou

iG Minas Gerais | Folhapress |

Corpo de Bernardo foi encontrado dentro de um saco plástico em um matagal em Frederico Westphalen
Corpo de Bernardo foi encontrado dentro de um saco plástico em um matagal em Frederico Westphalen

A Justiça gaúcha determinou nesta quarta-feira (20) a reabertura do inquérito policial que investigou a morte da mãe do menino Bernardo Boldrini, Odilaine Uglione.

Segundo o juiz Marcos Luís Agostini, da 1ª Vara Judicial da Comarca de Três Passos, "novos elementos e fundamentos apresentados são suficientes para reabertura das investigações".

Odilaine foi encontrada morta em fevereiro de 2010 no consultório do marido e pai de Bernardo, Leandro Boldrini. O inquérito foi arquivado cerca de dois meses depois a pedido do Ministério Público, após a polícia concluir que ela se matou. Odilaine morreu em decorrência de um tiro e teria deixado uma carta de despedida.

Após a morte de Bernardo, no entanto, a avó do menino e mãe de Odilaine, Jussara Uglione passou a contestar a versão e chegou a encomendar novas perícias de balística e da grafia da carta que a filha dela teria escrito, que levantaram questionamentos sobre a morte de Odilaine.

Com base nesses novos laudos, o Ministério Público fez o pedido à Justiça para que o inquérito fosse reaberto, já que eles apontariam a secretária do consultório como responsável por escrever a carta e apontariam uma terceira pessoa dentro da sala em que Odilaine morreu, além dela e de Leandro.

Essa não é a primeira vez que a avó de Bernardo pedia à Justiça a reabertura do inquérito sobre a morte da filha. Em julho de 2014, o mesmo juiz havia negado a reabertura do caso, alegando não haver provas novas. Na ocasião, ele afirmou Odilaine sofria de depressão e tinha manifestado a intenção de se suicidar. Também afirmou que as lesões pelo corpo foram consequências de tentativas de salvamento após o disparo.

BERNARDO

Bernardo foi encontrado morto em abril do ano passado em uma cova rasa em um matagal na cidade de Frederico Westphalen, a 80 km de Três Passos, onde ele morava com o pai, a madrasta e a irmã. Ele ficou desaparecido por dez dias antes da localização do corpo.

No mesmo dia da localização do corpo, a polícia prendeu pai e madrasta do garoto, além da assistente social Edelvânia Wirganovicz, por suspeita de participar do crime. O irmão de Edelvânia também foi preso posteriormente.

O Ministério Público acusa Graciele de ter matado o garoto com uma injeção do sedativo midazolam com a ajuda de Edelvânia. A Promotoria afirma que Leandro não estava na cena do crime, mas foi o "mentor" e "incentivador".

Uma motivação apontada pela acusação era a herança deixada pela mãe de Bernardo, Odilaine, que morreu em 2010. Evandro, diz o Ministério Público, contribuiu para o crime ao abrir a cova no matagal dois dias antes da morte.

Leandro Boldrini nega desde a época do crime ter tido qualquer participação na morte. Graciele, ao depor na investigação, disse que a morte foi acidental. Contou que deu calmantes ao garoto porque ele estava agitado e que escondeu o cadáver por desespero.

Edelvânia diz que Graciele, sozinha, deu comprimidos a Bernardo. Também argumentou que ajudou a esconder o corpo porque sofreu ameaças. Ela sustenta que o irmão, Evandro, não teve nenhuma participação no caso. A defesa dele nega qualquer envolvimento.

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