Cunha barra votação contra shopping na Câmara e é comparado a Stálin

Diante disso, aliados incluíram na medida provisória que trata da tributação sobre produtos importados um artigo que deixa clara a possibilidade de a Câmara

iG Minas Gerais | Folhapress |

Reação. 
Eduardo Cunha negou que esteja tramando contra Janot, mas citou ação como “desespero”
Marcelo Camargo/Agência Brasi
Reação. Eduardo Cunha negou que esteja tramando contra Janot, mas citou ação como “desespero”

A possibilidade de a Câmara dos Deputados abrigar um shopping causou nova polêmica nesta quarta-feira (20). Protagonista da ideia, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), barrou uma votação que poderia inviabilizar a empreitada e acabou sendo criticado por governistas e oposicionistas, que prometem recorrer à Justiça.

Desde que assumiu o comando da Câmara, em fevereiro, Cunha tem dado sequência ao projeto de ampliar a estrutura da Casa, construindo um novo auditório, novos gabinetes, mais estacionamentos e um centro comercial.

Diante disso, aliados incluíram na medida provisória que trata da tributação sobre produtos importados um artigo que deixa clara a possibilidade de a Câmara recorrer a uma parceria público-privada para realizar as obras.

Isso apesar de o tema não ter nenhuma relação com o teor da MP, o que é conhecido no jargão legislativo como a prática do "enfiar um jabuti" nos projetos.

O texto da MP foi aprovado na terça (19), mas o PSOL havia apresentado um "destaque" (emenda que retira artigos dos projetos aprovados), que seria votado nesta quarta para tentar derrubar o "jabuti".

Cunha, porém, anunciou momentos antes da votação que o "destaque" do PSOL não seria votada já que o partido expulsou o deputado Cabo Daciolo (RJ), encolhendo de cinco para quatro parlamentares e, com isso, perdendo a prerrogativa regimental de apresentar esse tipo de emenda.

A decisão, classificada como muito mais política do que técnica por deputados, foi criticada por governistas e pela oposição, que até então têm se mostrado alinhada com Cunha.

"Só aprovamos o texto principal porque ficou claro que hoje votaríamos o 'jabuti' da construção do shopping", reclamou o deputado Alessandro Molon (PT-RJ). "Se essa PPP for firmada, será ilegal", emendou o deputado Glauber Braga (PSB-RJ).

Líder da bancada do PSOL, o deputado Chico Alencar (RJ) disse que a afirmação de Cunha de que o "destaque" do PSOL deixou de exigir lhe lembrou Josef Stálin -uma menção à prática da extinta União Soviética de apagar de fotos dirigentes que haviam caído em desgraça dentro do regime.

Alencar também classificou a manobra de Cunha de "espúria" e de ser arquitetada por uma "assessoria de sabujos". Silvio Costa o acusou de querer ser dono da Câmara. "O senhor tem que retirar esse 'jabuti', esse seu shopping-center mal-assombrado", discursou Silvio Costa (PSC-PE).

Cunha, que presidia a sessão, se limitou a defender tecnicamente sua decisão e a pedir respeito em relação aos funcionários.

Além do PSOL e do PT, o PPS também disse que irá recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal). O PSDB também criticou a decisão de Cunha.

Os defensores da construção do shopping, que rejeitam o termo, não se manifestaram na sessão. Na terça, o primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP), defendeu o projeto afirmando que há uma antiga reivindicação dos parlamentares por melhoria na infraestrutura da Casa.

"Essa história de shopping é uma mentira, não vamos ter loja Louis Vuitton aqui dentro, não vamos ter lojas de shopping. Vamos ter escritórios, restaurantes, agências de turismo, de aviação", disse, na ocasião.

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