Alckmin se movimenta para dividir poder tucano com Aécio

Presidenciável, governador cava espaço na Executiva Nacional para fortalecer seu grupo político

iG Minas Gerais | Humberto Siqueira |

Secretário. Sílvio Torres alerta que, antes de pensar em eleição, PSDB precisa ajudar país a vencer crise
Luis Macedo
Secretário. Sílvio Torres alerta que, antes de pensar em eleição, PSDB precisa ajudar país a vencer crise

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pediu, e o senador Aécio Neves (MG) atenderá. O grupo político do paulista terá maior participação na composição da próxima Executiva Nacional do PSDB. A demanda de Alckmin sinaliza um movimento do governador na busca por ganhar terreno no partido. Ele deseja ter seu nome considerado para a campanha presidencial de 2018.

Ao que tudo indica, Aécio será mantido no comando da sigla, e Alckmin indicará o próximo secretário geral. O escolhido deve ser o deputado federal Sílvio Torres (PSDB-SP). Segundo Torres, “ agora é a hora em que todos os integrantes do partido devem se colocar à disposição”.

“Tenho experiência na executiva. Fiz parte por 15 anos. Mas a definição só sairá em 17 de junho”, diz.

Para o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) “feliz do partido que tem dois, três e até mais nomes preparados e cogitados para a disputa presidencial.

“A perspectiva de problemas quanto a essa definição é nula. Zero! A relação entre os possíveis postulantes para a eleição de 2018 é de total respeito e apoio integral. Ainda que isso não esteja sendo discutido no momento”, garante.

Na avaliação do deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG), a democracia não se resume a eleições e ainda não é hora de se falar em corrida presidencial para 2018. “Ainda falta muito tempo. O país está mergulhado em crise, com a nítida fragilização da presidente Dilma”, frisa. No entanto ele enaltece o fato de o partido contar com nomes do calibre de Aécio Neves e Geraldo Alckmin. “É uma felicidade para o PSDB poder escolher entre biografias tão respeitáveis. O PT, que tem sido nosso grande adversário, não tem um nome para apresentar. A menos que o ex-presidente Lula decida concorrer novamente. E, caso ele se candidate, em nada influenciará a escolha do PSDB”, observa.

Ainda de acordo com Pestana, Aécio e Alckmin se falam bastante e têm grande abertura para diálogo um com o outro. “No momento certo eles enxergarão quem está mais bem posicionado para representar o partido. E é natural que o PSDB paulista reivindique cargos de peso na executiva nacional. É o Estado com maior população e com maior força econômica do país ”, expõe.

Internamente no PSDB há quem, inclusive, defenda uma chapa com os dois nomes juntos. Nesse caso, a briga seria de quem ficaria com a presidência e quem concorreria ao cargo de vice-presidente. “É muito improvável que aconteça, mas não me surpreenderia”, conclui Torres.

Programa

TV. Com imagens de panelaço, PSDB acusa Dilma de ter mentido ao país. Aécio ocupou quase metade do tempo. Senador afirmou ser injusto população pagar por erros do governo.

Crise hídrica pode minar candidatura Alckmin Se não podemos dizer que muita água vai rolar até 2018, sabemos que muitos novos fatos vão surgir até a eleição presidencial. A crise hídrica em São Paulo, que não tem previsão de solução para os próximos três anos, pode desgastar a imagem de Alckmin. A última pesquisa Datafolha, divulgada em fevereiro, já mostrou que a aprovação ao governo tucano caiu 10 pontos percentuais em relação a outubro de 2014. A queda na aprovação da gestão de Alckmin foi acompanhada de crescimento na taxa de reprovação. A parcela dos paulistas que classificam o governo como ruim ou péssimo é recorde, subiu de 17% para 24% – antes o índice mais alto era o de junho de 2013 (20%). Já a parcela dos paulistas que avaliam o governo estadual como regular oscilou de 34% para 36%. A crise hídrica foi o principal motivo de reclamação. Cerca de um em cada cinco entrevistados (22%) apontou a falta de água como o principal problema do Estado. Para 88% dos entrevistados, o governo paulista falhou na prevenção da crise e poderia ter feito mais para evitar a falta de água.

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