Atraso no pagamento de conta de luz e água cresce em BH

Inadimplência subiu 4,33% em um ano, quase empatado com débito bancário, que subiu 4,59%

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Em abril, débito  com telecomunicações foi o que mais cresceu
STOCKXPERT/DIULGAÇÃO
Em abril, débito com telecomunicações foi o que mais cresceu

Na hora do aperto, água e luz estão entre as contas que mais são deixadas de lado. Em abril, essas dívidas cresceram 4,33% em Belo Horizonte, em relação ao mesmo mês do ano passado. Só não cresceram mais do que os débitos ligados aos bancos, que subiram 4,59%, segundo dados do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH).

“Na hora de escolher qual conta não pagar, as pessoas acabam deixando as de água e luz, porque têm um certo tempo para quitar a dívida antes do serviço ser cortado”, afirma a economista da CDL-BH, Ana Paula Bastos. Só de janeiro a abril deste ano, 49,45 mil consumidores procuraram a Cemig para renegociar as pendências. O número é 4,8% maior do que os 47,18 mil do mesmo período do ano passado.

A resolução 414 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) permite que a luz seja cortada após 15 dias de atraso no pagamento das faturas, desde que o cliente seja avisado. A Cemig explica que, como envia o comunicado na conta seguinte, na prática, esse corte acontece a partir do 45º dia de atraso.

Se for na conta de água, o corte pode ser feito 30 dias depois que a Copasa comunicar o cliente. A faxineira Maria Claudiana Pereira, 35, está com mais de duas contas de água em atraso. Ela recebe cerca de R$ 900 e gasta quase um terço com o aluguel. Com a inflação em alta, não está conseguindo pagar tudo em dia e também está devendo ao banco. “É que eu tive que pegar um empréstimo para pagar o aluguel. Agora, vou tentar pagar pelo menos uma conta de água, para não cortarem”, lamenta.

A economista chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, afirma que as pessoas estão deixando de pagar tudo. “O brasileiro tem mania de viver no limite, gasta tudo o que ganha e, quando aparece um imprevisto, não sobra para pagar. Acontece que neste ano temos tido muitos imprevistos. Se antes dava para gastar R$ 100 no supermercado, agora tem que gastar no mínimo R$ 108. E aí as pessoas vão deixando de pagar”, destaca Marcela.

Segundo levantamento da Federação do Comércio (Fecomércio- MG), a conta que o mineiro mais deixou de pagar em abril foi a de telefone fixo, seguida pela internet. “O consumidor tem que priorizar. Então tenta pagar a água e a luz, que são mais importantes, e atrasam as outras”, destaca a supervisora de estudos econômicos da Fecomércio, Luana Pereira.

Principais dívidas

O que as pessoas mais devem em Minas Gerais

Telefone fixo: 0 33,33%

Internet banda larga: 023,8%

Aluguel: 09,5%

Energia elétrica: 09,5%

Celular: 09,5%

TV a cabo: 04,8%

Saúde: 04,8%

Fonte: Fecomércio-MG

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