Mais partido e menos governo: PT ensaia “descolamento” de Dilma

iG Minas Gerais |

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Os recentes discursos de Lula e o tom adotado pelo programa do PT na TV mostram um certo “descolamento” do ex-presidente e do partido em relação ao governo. Não é uma boa opção. O sucesso de Dilma é essencial para dar competitividade ao partido no ano que vem e em 2018. No entanto, Lula se mostra desanimado com as atitudes de Dilma, que concordaria com tudo que ele diz, mas demora a fazer o que se espera. A mudança retórica de Lula já havia sido constatada no discurso do ex-presidente durante as festividades do Dia do Trabalhador. Diferentemente do “Lulinha paz e amor”, imagem construída pelo marqueteiro Duda Mendonça na campanha presidencial de 2002, o ex-presidente optou por uma atitude de conflito, sobretudo com parte da imprensa e das “elites”.  Na avaliação do secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República nos dois primeiros anos do governo Lula (2003 e 2004), Ricardo Kotscho, estamos assistindo a um “descompasso entre a CUT, o PT e o governo Dilma”. Kotscho também ressaltou em seu blog que a fala de Lula não apresentou mensagens que sinalizassem para o futuro, sendo muito “repetitivo, raivoso, retroativo, sem dar argumentos para os eleitores defendê-lo”. Em que pesem críticas como essa, a linha adotada pelo ex-presidente parece ser a mesma do PT. Basta ver as mensagens que o partido emite a partir das teses de seu 5º Congresso, que vai acontecer em junho, na Bahia.  Não por acaso, no programa eleitoral a legenda enfatizou, além das conquistas sociais dos 12 anos de governo petista, temas como “o combate à impunidade e à corrupção”, a oposição à redução da maioridade penal e à terceirização e a defesa da igualdade de gênero, pautas que vêm sendo abrigadas pela esquerda.   A intervenção de Lula seguiu o tom da manifestação realizada por ele no Dia do Trabalhador. Lembrou a história de luta da classe trabalhadora e o apoio dado pelo PT a essas bandeiras e atacou a terceirização, definindo o projeto aprovado pela Câmara como sinônimo de redução de direitos trabalhistas.  Lula e o PT não deixarão de apoiar Dilma. Porém, as últimas mensagens do ex-presidente e do partido indicam que o objetivo é tentar resgatar o passado do PT, a fim de amenizar ao máximo o prejuízo para a imagem da legenda.  Não por acaso, Lula tenta retomar atributos de sua liderança característicos dos anos 80 e 90, afastando-se um pouco do perfil de fiador do governo Dilma. Pelo que podemos observar, a partir de agora teremos um Lula falando mais diretamente com as bases do PT do que um Lula dedicado às articulações da coalizão que governa o Brasil.  No futuro próximo, a confirmação dessa tendência será verificada no 5º Congresso Nacional do PT, em Salvador. Ali, as teses de confronto com as políticas ditas “neoliberais” e com a mídia “golpista” serão expostas. O apoio a elas vai mostrar o real retrato do partido, cuja direção bate cabeça e não sabe o que quer ser.  A estratégia de se “descolar” do governo Dilma, dando ao PT um papel mais de partido e menos de governo, não será uma tarefa fácil. Prova disso é o panelaço realizado em diversas cidades sempre que as imagens de Dilma, Lula e do PT aparecem nos meios de comunicação. Mesmo sem a presença de Dilma na TV, o chamado “antipetismo militante” está muito ativo e não demonstra disposição nem mesmo para ouvir os argumentos que o PT tem a apresentar.  A sorte do PT é que ainda tem muito chão até 2018.

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