Janelas abertas pelo Nordeste

Cantora vai de Zé Ramalho a Marcelo Jeneci, em show nesta quinta, no Teatro Bradesco, resgatando sua própria história

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Intimista. Em formato simples, acompanhada apenas dos músicos Júlio César e César Rebechi, Amelinha interpreta 18 canções
jadiel carvalho/divulgação
Intimista. Em formato simples, acompanhada apenas dos músicos Júlio César e César Rebechi, Amelinha interpreta 18 canções

A cantora Amelinha nunca deu tanta importância para o show business da indústria fonográfica. Tanto que após seu início meteórico ao lado de Vinicius de Moraes e Toquinho, além do posterior sucesso em São Paulo com “Frevo Mulher”, em 1978, acabou sofrendo uma queda vertiginosa de popularidade quando decidiu voltar para o Ceará e, na terra natal, se dedicou a revelar lados A e B de Alceu Valença a Zé Ramalho. “Perdi terreno dentro da mídia. Mas me sinto mais feliz por ter viajado o Nordeste todo e ter transformado canções em símbolos atemporais”, diz a artista. Hoje, prestes a completar 40 anos de carreira, Amelinha volta a desvendar clássicos escolhidos a dedo em seu repertório, no show “Janelas do Brasil”, em única apresentação, nesta quinta à noite, no Teatro Bradesco, com participação de Zeca Baleiro.

Aos 64 anos, Amélia Cláudia Garcia Collares, a Amelinha, começou a rever toda a carreira no ano 2000, ouvindo LPs antigos e relembrando as mais de 300 canções gravadas. “Quando comecei a reouvir os discos, percebi uma tônica positiva em tudo, uma coisa até um tanto utópica. E aí entendi que tinha escolhido bem meu repertório, mas precisava dar continuidade a ele”, diz.

A vontade de renovação da artista cearense ganhou contornos práticos quando o DJ Zé Mauro, autor do remix de “Frevo Mulher” – que reintroduziu um clássico às festas do país em 2005 – e o produtor Thiago Marques Luiz, parceiro de Amelinha no tributo de 100 anos a Luiz Gonzaga, se encontraram em 2009. “Eles simplesmente disseram: ‘queremos um show seu novo”. Começaram a me mandar sugestões de músicas e arranjos por e-mail e eu ia respondendo, dando pitacos. Gravamos todo o CD em três dias”, diz Amelinha.

A estreia de “Janelas do Brasil”, com participações de Fagner, Toquinho e Zeca Baleiro, registradas em CD em 2012 e DVD em 2013, rendeu um novo olhar do público sobre Amelinha.

Muito porque o repertório do show conta a própria história de Amelinha, a partir de 18 músicas compostas especificamente para ela por grandes autores da MPB. Estão lá as inquietações feitas por Zé Ramalho, indagando “quantos elementos amam aquela mulher?” no sucesso “Frevo Mulher” (1978), bem como a “Felicidade” (1982) de Gonzaguinha, e o “Tempo Rei” (1984) de Gilberto Gil, além de “Água de Lua” (2000), de Djavan, e a recente descoberta da parceria de Marcelo Jeneci e Chico César, em uma versão de “Felicidade” (2010).

“Eu nunca fui de pedir uma música para qualquer compositor. Eles criaram livremente me interpretando. Lembro quando o Gonzaguinha fez ‘Felicidade’ pra mim, era um momento em que eu saia do auê dos 20 anos, entrando na maturidade, e ele viu uma poesia nisso. Com o Jeneci e o Chico, eu encontrei outra ‘Felicidade’, mais jovial e ao mesmo tempo universal. É a única que não fizeram para mim, mas poderia ser, porque me identifico com a filosofia da nova felicidade”, diz Amelinha.

Em um pot-pourri especial, Zeca Baleiro é convidado para cantar no show em duas canções, “Asa Partida”, de Fagner e Abel Silva, e “Flor da Paisagem”, de Robertinho do Recife e Fausto Nilo. Curiosamente, a canção “Silêncio”, escrita pelo maranhense para Amelinha, não será interpretada por ele. “Quando ouvi minha música no CD da Amelinha, disse a mim mesmo: essa música não me pertence mais (risos). Ela cantou de um jeito tão definitivo, com tanta verdade... Fiquei muito tocado”, justifica Zeca.

ARRANJOS. Com uma produção intimista no palco, Amelinha será acompanhada pelos instrumentistas Júlio César, que há 15 anos integra seu time de músicos, e César Rebechi, argentino conhecido por tocar durante anos com Taiguara. Os dois se revezam em violões de nylon e aço, guitarras e bandolins, alternando timbres e abusando de efeitos. “Não tem super banda, bateria, barulhos loucos. Esse formato ressalta a beleza das letras, as histórias contadas em forma de música. Por isso gostei dessa ideia e tenho seguido com o show de forma tão viva”, avalia Amelinha.

Agenda

O QUE. Amelinha apresenta o show “Janelas do Brasil”

ONDE. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes)

QUANDO. Nesta quinta, às 21h

QUANTO. R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)

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