Crise vista pelo retrovisor

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Land Rover/Divulgação
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O ano em curso está longe de seu fim, mas já é certo que será o de pior desempenho nos últimos tempos, com retração nas vendas como há muitos anos a indústria automobilística brasileira não experimentava. Panorama desolador. Se não acontecer algo que permita alavancar a economia do país, nem mesmo o mais otimista dos prognósticos pode mostrar cenário favorável. Contudo, essa realidade parece não refletir no segmento dos carros premium, como são denominados os modelos que contam com alto padrão de acabamento e qualidade construtiva. Para essa classe de maior poder aquisitivo, a crise pode passar um pouco mais distante do que para a maioria dos consumidores brasileiros. Tanto é que as marcas que fabricam e importam esses modelos estão colhendo bons resultados e levando lucro para suas matrizes. É o caso da Mercedes-Benz, que anunciou um crescimento de 31% em suas vendas de automóveis no mercado brasileiro. A marca alemã comemora o emplacamento de 4.238 unidades nos quatro primeiros meses do ano. Em 2014, durante o mesmo período, a marca registrou 3.242 veículos comercializados. Um dos fatores no sucesso de vendas dos primeiros meses de 2015 deve-se aos modelos Classe C e GLA. Ambos respondem por 65% das vendas, com 566 e 284 emplacamentos, respectivamente. Tanto o Classe C como o GLA serão produzidos em Iracemápolis, no interior de São Paulo. Recentemente, a Mercedes anunciou o avanço nas construções do complexo industrial, que inicia suas atividades no próximo ano e receberá investimentos de mais de R$ 500 milhões. Ele faz parte da meta da marca de se tornar líder mundial de vendas de automóvel premium até 2020. Curioso é que a conterrânea Audi tem pretensão similar e exatamente no mesmo tempo e daqui a cinco anos espera estar comercializando no Brasil cerca de 30 mil unidades. Para isso, conta com a nacionalização da linha A3. Não custa lembrar que esta seria a retomada da produção interrompida em 2000, ano que saiu da linha de montagem o último A3 hatch. Logo depois foi lançada a versão Sportback, maior e com mais conteúdo tecnológico, o que inviabilizou a produção que agora volta com o que há de melhor na atualidade. O mês está escolhido, setembro, quando a VW, dona da Audi, inicia, na mesma planta industrial, a montagem de dois modelos que dividem com o A3 a mesma plataforma. Falamos do Golf e do Jetta, atualmente fabricados em Puebla, no México, mas se preparando para mudar de endereço em três meses. Outro indício de que a crise não é palavra no dicionário desse mercado tem na garantia de mais dois fabricantes destas marcas tão desejadas fincarem bandeira em nosso território. A primeira, também alemã, BMW, já está em plena atividade no interior de São Paulo, montando o Série 3, e a segunda, a Jaguar Land Rover, já ergue estrutura de concreto em Itatiaia, interior fluminense, onde fabricará o Discovery Sport, e, muito provavelmente, o Jaguar XE, versão de entrada do sofisticado sedã inglês. Em resumo, ter a Mercedes-Benz, BMW, Audi e Land Rover com fábricas no Brasil aguçará ainda este segmento que promete fechar 2015 com cerca de 50 mil unidades emplacadas, 10 mil a mais do que no ano passado.

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