Netanyahu disposto a aceitar amistoso Israel-Palestina pela paz

Na semana passada, Blatter, que concorre ao quinto mandato à frente da Fifa no dia 29 de maio, fez da resolução deste conflito sua "prioridade número um"

iG Minas Gerais | AFP |

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu
AP Photo/Menahem Kahana, Pool
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, afirmou nesta terça-feira, em Jerusalém, que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, está disposto a organizar uma partida de futebol entre Israel e Palestina pela paz no Oriente Médio.

"Um dos assuntos que abordei com o primeiro-ministro Netanyahu é o caminho que ele está disposto a seguir, para o organização, num futuro próximo, amanhã, depois de amanhã, daqui a alguns meses, um ano, uma partida pela paz entre duas equipes, as seleções nacionais de Israel e Palestina", relatou o dirigente suíço numa entrevista coletiva, pouco depois de um encontro com Netanyahu.

"Ele disse que, se uma partida for disputada entre Palestina e Israel em Zurique, ele estaria presente e apartaria a mão de todo mundo", acrescentou Blatter.

"Ficaríamos muito felizes em aceitar a organização de uma partida como esta em Zurique", completou.

Esta viagem do dirigente ao Oriente Médio ocorre em meio a uma polêmica provocada por um pedido da federação palestina de excluir os israelenses da entidade por "comportamento racista contra os árabes".

O suíço também tem reunião marcada na quarta-feira com Mahmud Abbas, presidente da autoridade Palestina.

'Prioridade'

Na semana passada, Blatter, que concorre ao quinto mandato à frente da Fifa no dia 29 de maio, fez da resolução deste conflito sua "prioridade número um".

Nesta terça-feira, pouco antes da entrevista coletiva do presidente da entidade que rege o futebol mundial, Rotem Kamer, secretário-geral da federação israelense de futebol, chamou de "cínico" pedido de exclusão.

"A exigência da Palestina não tem nada a ver com esporte. Vemos este fato como uma mescla evidente de futebol e política, assunto que não cabe no congresso da Fifa", denunciou o dirigente.

Membro da Fifa desde 1998, a federação palestina critica, de forma mais específica, as restrições impostas pelas autoridades israelenses à liberdade de circulação de jogadores.

"Os regulamentos que dizem respeito aos deslocamentos de jogadores palestinos não são da nossa responsabilidade", rebateu Kamer, numa tentativa de isentar sua federação.

Blatter já afirmou que faria de tudo para evitar uma resolução  pedindo a exclusão de Israel, que a federação palestina pretende levar a votação durante o congresso do dia 29 de maio, dia da eleição presidencial.

"Tentarei, até a abertura do congresso, em exatos dez dias, impedir tal situação", prometeu o suíço de 79 anos, que está no cargo desde 1998.

A visita no Oriente Médio é uma forma de lançar de vez a campanha, contra quatro concorrentes mais jovens, o ex-craque português Luis Figo (42), a príncipe jordaniano Ali bin Al Hussein (39), um dos vice-presidentes da Fifa, e Michael van Praag (67), presidente da Federação holandesa.

Investimentos

O futebol, muito popular nos territórios palestinos, é mais uma vítima colateral do conflito no Oriente Médio.

Para jogar, a seleção palestina precisa enfrentar vários obstáculos para se deslocar, por causa dos 'checkpoints' na Cisjordânia ocupada e interdições de circular entre Cisjordânia e faixa de Gaza.

Alguns jogadores, inclusive, chegaram a ficar presos, por suspeitas de pertencer a grupos armados.

Ahed Zaqqout, lenda do futebol palestino, morreu aos 49 anos no dia 30 de julho de 2014, durante um bombardeio em Gaza.

Em novembro, a federação palestina chegou a denunciar uma invasão da sua sede pelo exército israelense.

Em 2013, a Fifa anunciou investimentos de 3,5 milhões de euros para ajudar o desenvolvimento do futebol na Palestina.

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