Patrimônio do Villa Nova vai a leilão para quitar dívidas trabalhistas

Ex-presidente do Leão do Bonfim declara que Atlético teria atrapalhado o time a conseguir uma boa renda mandando jogos contra o Villa Nova no Mineirão

iG Minas Gerais | ANTÔNIO ANDERSON E VINÍCIUS SILVEIRA |

Como se não bastassem as incertezas em relação a participação do time na Série D do Campeonato Brasileiro, o Villa Nova vive um drama fora das quatro linhas. Para pagar dívidas trabalhistas, o Parque Aquático do clube, que fica localizado no centro de Nova Lima, vai a leilão no próximo dia 27 de maio. Apesar de estar avaliado em cerca de R$ 12 milhões, o patrimônio poderá ser negociado com o lance mínimo de R$ 3 milhões, o que acarretaria em grande prejuízo para ao alvirrubro.

O valor arrecado no leilão vai servir para quitar dívidas com vários jogadores, entre eles o volante Davidson Ferreira Fernandes, que atuou com a camisa do Leão do Bonfim entre 2001 e 2007 e teria para receber cerca de R$ 350 mil. “Chegamos a um acordo com o clube, mas ele não foi cumprido. Em função disto, entramos com esse pedido de penhora do Parque Aquático”, explicou o advogado do ex-jogador, Guilherme Oliveira Cruz. As dívidas do Vila Nova somam cerca de R$ 8,5 milhões, sendo que R$ 4,5 milhões se referem a débitos trabalhistas.

Segundo o advogado, o Parque Aquático não teria uma escritura ou registro no nome Villa Nova, apesar de ser reconhecido como patrimônio do Leão do Bonfim. “O valor de R$ 3 milhões foi definido por um oficial de justiça. A falta de uma escritura acabou gerando um prejuízo para o clube na avaliação do imóvel que, do contrário, poderia ser ainda mais valorizado”, destacou Guilherme Oliveira Cruz.

A solução que não deu certo

Em 2011, quando o Villa Nova ainda era presidido por Jairo Gomes, foi criado o condomínio de credores para parcelar esses débitos, com o clube pagando R$ 15 mil mensais. Mas o Villa Nova não conseguiu cumprir com suas obrigações. “Em 2013, com a reinauguração do Mineirão, nós tivemos dois jogos contra o Cruzeiro pelo estadual e queríamos mandar para o Mineirão. O então presidente Paulo Schettino da Federação Mineira de Futebol concordou, mas os demais clubes teriam que dar o aval. Todos deram, menos o Atlético”, justificou o ex-presidente Jairo Gomes.

Segundo o ex-dirigente, essa negativa do Atlético acabou complicando a situação do Villa Nova, que contava com uma boa renda nos dois jogos contra a Raposa para ajudar a quitar as dívidas. “Esperávamos lucrar cerca de R$ 1 milhão nas duas partidas contra o Cruzeiro e isso simplesmente complicou a nossa vida financeira. Aconteceu o atraso, eu não poderia fazer milagre e acabei deixando a presidência do clube", afirmou Jairo Gomes, que depois foi substituído por Anisinho.

Procurado pela reportagem do SUPER FC, o ex-presidente do Atlético, Alexandre Kalil, declarou que não conhece o  ex-dirigente do Villa Nova e que não iria comentar sobre o assunto.