Terapias alternativas auxiliam fertilização assistida

Especialista fala sobre os efeitos da acupuntura, da ioga e das massagens no tratamento para combater a infertilidade

iG Minas Gerais | Da Redação |

Terapias complementares ajudam no combate à infertilidade
Terapias complementares ajudam no combate à infertilidade

Acupuntura, ioga e massagem podem ser um poderoso aliado para mulheres que se submetem a tratamentos para engravidar. A fertilização assistida já considera, hoje, que lançar de mão de recursos para manter o equilíbrio emocional podem fazer parte do processo, uma vez que o estresse é nocivo para mulheres que precisam lidar com as expectativas.

Já existem especialistas que defendem uma abordagem mais holística para estes tratamentos, muitas vezes associados ao acompanhamento psicológico. Estes médicos propõen às suas pacientes que pratiquem alguma atividade voltada ao relaxamento.

"Além de caminhada, acupuntura, ioga e massagem são as atividades preferidas pelas futuras mamães", indica Assumpto Iaconelli Junior, especialista em Medicina Reprodutiva e diretor do Fertility Medical Group,

“Ao se conectar com uma atividade de relaxamento, notamos claramente uma desaceleração nos níveis de ansiedade da paciente, além de todo o corpo entrar em equilíbrio – facilitando o tratamento e a concepção”, diz o médico.

Diante de um diagnóstico de infertilidade, segundo revelam alguns estudos, os níveis de estresse são similares aos experimentados por pacientes que recebem diagnóstico de doença terminal. Desta maneira, os hormônios do estresse, incluindo cortisol, ACTH (adrenocorticotrófico), noradrenalina e adrenalina são liberados na corrente sanguínea como uma defesa, forçando o corpo a lutar pela sobrevivência.

"Nessas circunstâncias, só as funções vitais têm prioridade, não a função reprodutiva ou outra qualquer. Quando esse quadro se repete com muita frequência, acaba interferindo bastante no equilíbrio hormonal como um todo e nos padrões de ovulação”, explica.

Mulheres submetidas a tratamentos de fertilização in vitro aumentaram as chances de concepção em 65% ao recorrer à acupuntura também como técnica de relaxamento, de acordo com estudo divulgado no respeitado British Medical Journal . A prática também é reconhecida por ajudar a regular o fluxo menstrual, reduzir os níveis de ansiedade, aumentar o fluxo sanguíneo no útero, reduzir o risco de hemorragias e abortos.

Já a ioga combate o estresse, levando a paciente a buscar o equilíbrio físico e mental na sua rotina diária. De acordo com Herbert Benson, cardiologista de Harvard (Estados Unidos), ao praticar os movimentos da ioga, a paciente também trabalha meditação, respiração e visualização – o que tem impacto positivo numa mudança de comportamento, combatendo a ansiedade e a tensão emocional que costumam atrapalhar o sono e a concepção.

A massagem é mais um complemento que, além de agradável, melhora a circulação sanguínea em todo corpo, mais especificamente nos órgãos reprodutivos. Trabalhando pontos de pressão e respiração, o sistema hormonal entra em equilíbrio e fornece todo suporte necessário para o processo de concepção. Um grupo formado por ginecologistas e terapeutas corporais descobriu que algumas técnicas de massagem também removem bloqueios e reduzem adesões – fator presente em 40% dos casos de infertilidade.

"É fundamental valorizar essas técnicas que reconhecidamente agem no reposicionamento emocional das pessoas, principalmente em relação aos casais em tratamento de fertilização assistida", opina Iaconelli. Coordenador técnico do Instituto Sapientiae, braço acadêmico do Fertility, o especialista conta que o instituto avaliou o impacto do estresse oxidativo em 332 casais inférteis em tratamento de fertilização assistida – analisando sêmen e fluido folicular.

Ficou comprovado que o excesso de radicais livres tem impacto negativo sobre o DNA, lipídios e proteínas, dificultando a gravidez. “Níveis altos de estresse emocional desencadeiam uma série de desdobramentos no organismo humano, incluindo o aumento do estresse oxidativo, que está diretamente ligado à piora da qualidade dos oócitos e da qualidade do sêmen.

Sendo assim, controlar os níveis de estresse faz parte de um conjunto de medidas que integram um tratamento de fertilização assistida. É importante, então, que a paciente se identifique com alguma dessas terapias e persista nela durante todo o processo. O mínimo que irá acontecer é atravessar esse importante período com mais confiança e serenidade”.

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