Apenas 10% dos autocultivadores de maconha se registraram no Uruguai

Uruguaios ainda sentem-se inseguros sobre a exposição de dados pessoas nesses sistemas; "as pessoas têm medo porque acham que a polícia ou o governo podem acessar esses arquivos", justifica o presidente da Associação

iG Minas Gerais | AFP |

O medicamento é uma alternativa para controlar frequentes crises convulsivas
DAVE CHAN / NYT
O medicamento é uma alternativa para controlar frequentes crises convulsivas

Apenas entre 5 e 10% dos autocultivadores de maconha se registraram oficialmente no Uruguai, país onde o consumo e a produção da planta é legal - estima Laura Blanco, presidente da Associação para Estudos de Cannabis.

"Nós não temos nenhum censo oficial, mas existem maneiras de medir, especialmente através das redes sociais, e de acordo com nossos cálculos no Uruguai há pelo menos 20.000 autocultivadores de cannabis", explicou à AFP.

Os dados oficiais mostram que 2.000 pessoas se inscreveram junto às autoridades oficiais, enquanto que entre 700 e 800 pessoas fazem parte de clubes de membros, entidades criadas pela legislação que, durante o mandato do ex-presidente José Mujica (2010- 2015), foi promulgada para regulamentar a matéria.

Blanco explica que, apesar do tempo decorrido, os uruguaios ainda têm dúvidas sobre a confidencialidade desses bancos de dados. "O problema central é que há pouca informação e as pessoas têm medo porque acham que a polícia ou o governo podem acessar esses arquivos, e também usá-los contra você", diz a ativista.

Até o momento existem 14 clubes de sócios em todo o país, destacou Blanco. 

O instrumento jurídico, inédito no mundo, prevê também que qualquer um que não cultive ou tenha participação num clube de cannabis pode, através do registo, comprar um máximo de 40 gramas por mês, em farmácias especializadas. No entanto, estas unidades, que devem ser abastecidas pela produção do estado, ainda não têm data de inauguração.

O uso medicinal da cannabis, também regulamentado, é outra aresta por aparar no Uruguai. Apenas na segunda metade do ano, o país irá formar um primeiro grupo de estudantes e médicos a prescrever tratamentos alternativos com produtos feitos de cannabis.

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