Por uma sociedade sem hospícios, centenas desfilam em Belo Horizonte

Lema do desfile deste ano foi "Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça: por uma sociedade sem manicômios"

iG Minas Gerais |

Cidades -  Do dia - Belo Horizonte MG
18 de maio  dia nacional da Luta Antimanicomial - Passeata na regiao central da capital entre a praca da Liberdade e praca da Estacao

FOTOS: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 18.5.2015
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Cidades - Do dia - Belo Horizonte MG 18 de maio dia nacional da Luta Antimanicomial - Passeata na regiao central da capital entre a praca da Liberdade e praca da Estacao FOTOS: MARIELA GUIMARAES / O TEMPO 18.5.2015

Nesta segunda-feira (18), Dia Nacional da Luta Antimanicomial, centenas de pessoas saíram às ruas de Belo Horizonte em um desfile repleto de cores, fantasias e alegria, tendo em comum um único objetivo: relembrar e celebrar o fim das mazelas vividas por quem foi forçado a viver em manicômios durante anos de nossa história recente. 

A primeira frase que estampa o lema deste ano, "Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça: por uma sociedade sem manicômios", foi emprestada do lema do projeto "Brasil: Nunca Mais", que revelou sobre a extensão da ditadura militar do país. Segundo a Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais (Asussam), o objetivo era lembrar que exatamente neste período de nossa história que o número de leitos psiquiátricos no país chegou a 100 mil, não sendo por   acaso que a história do surgimento da luta antimanicomial e dos movimentos de abertura política do país se confundem.

Em 2015, o desfile homenageia o psiquiatra italiano Franco Basaglia, que no final da década de 70 chegou ao Brasil e à Minas Gerais, inaugurando um diálogo que viria a culminar na Reforma Psiquiátrica do nosso país. A primeira ala foi nomeada "O cavalo é Marco: enquanto houver beco, existe saída”, fazendo referência à um cavalo azul de papel machê feito pelos pacientes da cidade italiana de Trieste, em um desfile feito antes de o manicômio ser fechado em 1977. 

Já a ala dois levou o nome de “Penso, louco existo”, brincando com a famosa frase do famoso filósofo René Descartes. As demais alas foram nomeadas "Alice faz maravilhas num país sem manicômios nem prisões", "Quem cala consente, serpente na boca da gente", "Cuidar, sim! Monitorar, não! Sorria, você está sendo.... cuidado" (que critica a instalação de câmeras nas cracolândias) e "Nem de cabeça pra baixo me rebaixo".

Segundo a BHTrans, o desfile se concentrou na praça da Liberdade, na região Centro-Sul, e seguiu pelas avenidas João Pinheiro, Álvares Cabral, Afonso Pena, pelas ruas Espírito Santo e Tupinambás, até chegarem à praça da Estação. O trânsito não teria sido prejudicado, conforme a empresa que administra o trânsito da capital.