Levir rechaça favoritismo e critica cultura do futebol brasileiro

Apesar da boa vitória sobre o Fluminense, técnico considera que qualquer projeção de título ainda é prematura

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Nas palestas para o jogo contra o Boa, Levir crê que falou muito sobre a partida da próxima quinta
JOÃO GODINHO
Nas palestas para o jogo contra o Boa, Levir crê que falou muito sobre a partida da próxima quinta

Após uma eliminação, nada melhor que uma goleada para lavar a alma e mostrar que o time não está abalado. Assim aconteceu com o Atlético, que aplicou 4 a 1 no Fluminense quatro dias após sair da Libertadores. Pelo bom futebol apresentado, houve quem já apontasse o Galo como favorito ao título nacional, considerando que este deva ser o grande foco do time a partir de agora. Mas, o técnico Levir Culpi se incomodou com tal projeção precoce.

O técnico alvinegro concorda que a equipe vem demonstrando qualidade e é sim uma das candidatas, mas rechaçou categoricamente o favoritismo, ponderando que avaliações desse tipo são perigosas, baseado no caso do Corinthians, que foi apontado como predileto para o título da Libertadores, no entanto, foi eliminado pelo Guaraní-PAR ainda nas oitavas de final.

“Não faça isso comigo. Esse que é grande problema dos clubes do Brasil, já falam em ser campeão, o time vem fazendo boas partidas. Quero afirmar para os torcedores. O time está no caminho certo, temos que conquistar algo, para ter um um sistema. É muito prematuro. Somos candidatos, pela nossa grandeza. Lembro das avaliações do Corinthians. Vamos com calma. O time está se encaixando. Estamos usando só três das substituições. Temos que consolidar. Por enquanto, é muito cedo”, avaliou.

A análise cautelosa de Levir foi complementada por uma crítica à cultura que permeia o futebol brasileiro, que, segundo ele, peca por precipitar, tanto na hora de eleger ídolos, quanto no momento de condenar jogadores e técnicos, quase sempre, por razões isoladas.

“Eu vejo dessa maneira. Não há solução. É nossa cultura. Time bom mesmo é Barcelona, Real Madrid, uma seleção mundial, que joga em um padrão há muito tempo. São bem treinados. Jogam bem, atacam bem. Aqui no Brasil, se perde um gol é para ser tirado do time. Igual o Dátolo, se perde um gol, fica uma situação insustentável. Há uma oscilação psicológica no futebol brasileiro. É uma questão de educação, tem que ser trabalhado desde a escola”, disparou.

Em duas rodadas do Campeonato Brasileiro, o Atlético empatou uma (com o Palmeiras, 2 a 2), e venceu outra, a goleada sobre o Flu nesse domingo. O time mineiro soma quatro pontos e divide a vice-liderança com o Sport, ambos com campanha idêntica. Goiás, Ponte Preta e Santos também tem a mesma pontuação, mas ficam em desvantagem no saldo de gols.

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