Cidadão Instigado volta às raízes em novo disco

Liderado por Catatau, grupo encerra hiato de seis anos com álbum mais pesado da carreira

iG Minas Gerais | lucas buzatti |

Essência roqueira. Formada no Ceará há quase 20 anos, banda voltou a beber da fonte do rock’n’roll em seu mais recente trabalho
Haroldo Saboia
Essência roqueira. Formada no Ceará há quase 20 anos, banda voltou a beber da fonte do rock’n’roll em seu mais recente trabalho

“A única certeza que eu tinha era de que não queria mais fazer o som que vínhamos fazendo”, afirma Fernando Catatau, guitarrista, vocalista e líder do Cidadão Instigado. No quarto disco da carreira (que completa 20 anos em 2016), o grupo, formado no Ceará, acerta as contas com suas raízes: tanto geográficas – o que se percebe pelo próprio nome do disco, “Fortaleza” – como musicais. Riffs, grooves e viradas marcantes contornam a estética densa e pesada do álbum, cujas dez faixas podem ser ouvidas e baixadas pelo site oficial do grupo (www.cidadaoinstigado.com.br). “Acho que tudo tem seu tempo. Me cansei de caminhar pelas mesmas fórmulas. Se deixar, você fica viciado em si mesmo”, sublinha Catatau. De fato, “Fortaleza” é diferente de tudo o que o Cidadão Instigado já lançou, principalmente de seu antecessor, o animado e tropical “Uhuuu!” (2009). Ao mesmo tempo, trata-se do trabalho que mais explana a essência da força criativa do grupo. “O rock é a nossa vida, nossa escola. Cresci ouvindo Black Sabbath, Led Zeppelin, Pink Floyd”, conta o músico, lembrando que a banda interpretou o clássico “The Dark Side Of The Moon” em shows recentes. “Depois, tive uma passagem pelo movimento punk, que me marcou muito. Acompanhei a cena nacional, o início da Legião Urbana, dos Inocentes”, complementa. Sobre os novos e pesados timbres, refletidos em petardos como “Land of Light”, “Ficção Científica” e “Quando a Máscara Cai”, Catatau afirma que o Cidadão Instigado sempre perseguiu a inovação. “Sempre fomos uma banda experimental, no sentido de fazer coisas novas. Não temos rabo preso com gravadora. A gente faz o que quer”, crava. “Conseguimos fazer o disco soar como queríamos. E chegar nesse som é difícil. Fazer rock não é simples, por isso, talvez, tenha demorado tanto”, pontua. Para Catatau, o tempo de feitura do disco foi extenso em razão de seu próprio processo de composição. “Sou um cara lento, não tenho essa velocidade toda para gravar. Acho que cada um faz do seu jeito”, diz, contando que a concepção do álbum teve início em um encontro com os outros três integrantes à beira-mar, em Icaraí de Amontada. A praia fica no Ceará, Estado onde o músico nasceu e morou até 2001, antes de mudar-se definitivamente para São Paulo. Certeiro, Catatau termina o papo comentando a faixa-título e a inspiração nas raízes regionais. “Fortaleza é muito importante para mim. Amo minha cidade e também odeio muitas coisas que acontecem por lá. A canção mostra a minha visão”, diz. “Mas o título não diz só sobre a cidade. Hoje, vivemos em minifortalezas, escondidos em condomínios, presos nas cidades. Fortaleza é um nome muito grandioso”.

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