Siglas usam caixa para comprar carro de luxo e aeronave

Legendas gastam doações e Fundo Partidário de forma diversa

iG Minas Gerais |

Modelo. PROS adquiriu, no fim do ano passado, um bimotor para seis passageiros por R$ 400 mil
REPRODUCAO / GOVERNO DA BAHIA
Modelo. PROS adquiriu, no fim do ano passado, um bimotor para seis passageiros por R$ 400 mil

Brasília. A prestação de contas que os partidos entregam à Justiça Eleitoral mostra que cada sigla gasta de um jeito o dinheiro que recebe do Fundo Partidário e os valores arrecadados de outras fontes, como as doações de empresas, filiados e dirigentes. Nos documentos, pilhas de papel que têm processamento lento e fiscalização precária, o jornal “O Globo” encontrou até registros da compra de um avião.

Criado em setembro de 2013, o PROS recebeu, no ano passado, R$ 595 mil do fundo. Confortável com a renda anual, o partido resolveu dar um jeito para facilitar a vida de seus dirigentes: comprou um avião particular em dezembro de 2014. A assessoria de imprensa do PROS informou que a legenda pagou R$ 400 mil pelo bimotor modelo EM-810D com capacidade para cinco passageiros.

“O motivo da aquisição se deve ao fato de alguns municípios brasileiros não possuírem voos comerciais. Com isso, a aeronave possibilita que membros do partido cheguem a esses municípios com maior rapidez”, diz a sigla em nota.

Também no ano passado, o PRP recebeu R$ 1,6 milhão do Fundo Partidário e resolveu adquirir um carro de luxo. Comprou um Fiat Freemont 2013/2014, utilitário esportivo com capacidade para até sete passageiros. O partido deu R$ 16,5 mil de entrada e ficou devendo R$ 49,5 mil, que seriam quitados em janeiro.

O secretário do PRP, Antonio Arantes Neto, explicou que o veículo é utilizado para viagens de dirigentes entre os escritórios de São José do Rio Preto, São Paulo e Brasília. “Sentimos a necessidade de um veículo com capacidade maior para levar material, pastas e malas dos dirigentes”, explicou o secretário.

Viagens. Juntos, os partidos brasileiros gastam bastante com viagens: R$ 26,3 milhões em 2013. E, nesse item, há uma discrepância grande entre eles.

O PT, por exemplo, gastou, em 2013, R$ 7 milhões; o PSDB, R$ 3,9 milhões (sendo R$ 1,9 milhão com fretamento de aeronave); o PSB, R$ 2,1 milhões. Mas, em compensação, no PSD, só R$ 34 mil foram registrados nessa rubrica.

Prosaico

Custeio. As contas dos partidos têm também itens prosaicos, como o pagamento de R$ 450 a uma creche, feito pelo PSTU, ou os R$ 510,40 gastos com lavanderia, no caso do PTB.

Dependência do fundo atinge 50%

Brasília. A maior parte dos recursos que chegam ao caixa dos partidos fora do período eleitoral sai dos cofres públicos. Mais da metade dos 32 partidos registrados no país sobreviveram, em 2013, o último ano com as prestações de contas completas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quase exclusivamente do Fundo Partidário. Das 32 siglas, 17 tiveram mais de 90% de suas receitas no fundo. Os caixas de PCO, PROS e Solidariedade, por exemplo, foram formados 100% com o recurso.

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