Produtos de beleza vão encarecer

Grandes marcas podem ir à Justiça para não recolher o imposto; Natura já tem liminar

iG Minas Gerais |

Beleza cara. 
Itens como esmalte, maquiagens e cremes devem subir até 12,% acima da inflação
CRISTIANO TRAD / OTEMPO
Beleza cara. Itens como esmalte, maquiagens e cremes devem subir até 12,% acima da inflação

RIO DE JANEIRO. Manter itens como maquiagem, esmaltes, sabonetes e cremes na lista de compras vai demandar um esforço a mais do bolso do consumidor a partir deste mês. O preço de uma seleção de produtos terá aumento médio de 12,5% acima da inflação, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). É efeito do novo sistema de cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor.

O tributo passa a incidir não apenas sobre a industrialização de uma lista de itens, mas também sobre a distribuição, de acordo com o decreto nº 8.393, publicado pelo governo federal no início deste ano.

“Vai onerar o setor, com aumento dos preços para o consumidor. Isso vai trazer queda em vendas e consequente redução nos investimentos das empresas”, destaca João Carlos Basílio, presidente da entidade. Outro reflexo da medida, diz, é criar vantagem para os importados, dispensados do tributo no segundo elo da cadeia.

A mudança na tributação do setor não está descolada do desafiador cenário econômico do país, e que vem resultando em retração no consumo em diversos segmentos. A área de perfumaria, higiene pessoal e cosméticos, contudo, não está entre as mais abatidas pela desaceleração.

No ano passado, o segmento cresceu 11%, desempenho de fazer corar outros setores da indústria. Com faturamento de R$ 101,7 bilhões, o mercado brasileiro de perfumaria e cosméticos é o terceiro maior, atrás apenas de Estados Unidos e China.

Será difícil repetir esse desempenho em 2015. “O consumidor pode fazer um downgrade (rebaixamento) em seu perfil de consumo, para adequar as compras ao tamanho do bolso. A alta de preços pode reduzir o número de funcionários de salões de beleza e o número de revendedoras de produtos de beleza”, estima Basílio.

A largada já foi dada. A Granado/Phebo aumentou os preços de determinadas categorias em 13%. A Natura já fez um reajuste de 3,7% e anunciou outro de 2,% para junho. No início deste mês, a Natura obteve uma liminar que suspende o pagamento do IPI no segundo elo da cadeia pela empresa. Segundo a Abihpec, outras grandes companhias do setor estão seguindo os passos da Natura.

Farmácias lucram com o segmento Rio de Janeiro. Nas grandes redes de farmácias do país, perto de um terço da receita está atrelada à venda de produtos que não são medicamentos. Francisco Deusmar Queirós, controlador do grupo Pague Menos, acredita que não haverá mudança de consumo na camada popular. Entre os itens mais caros, porém, pode haver substituição de produtos. “A pessoa que mora no interior do Nordeste e deixou de escovar os dentes com raspa de juá não vai abandonar o creme dental, ou ainda o desodorante. Nos itens mais caros, é possível trocar de produto. Em medicamentos, há os genéricos”.

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