Capital social é determinante no ranking dos países mais felizes

Pesquisa aponta o bem-estar como um critério para medir o desenvolvimento

iG Minas Gerais | Felipe Bueno / Litza Mattos |

Há 30 anos, Butão mantém o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB)
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Há 30 anos, Butão mantém o índice de Felicidade Interna Bruta (FIB)

Ricos, porém nem sempre mais felizes. Esse não é nenhum exemplo de insucesso familiar, mas a principal lição do Relatório Mundial da Felicidade (World Happiness Report, em inglês), que revelou, com base em respostas de pessoas em todo o mundo, que a renda por si só não é suficiente para garantir o bem-estar dos cidadãos. De acordo com os dados, a “verdadeira felicidade” depende muito mais do capital social – que significa confiança generalizada, boa governança e o apoio mútuo entre indivíduos dentro da sociedade – do que do capital financeiro.

Para chegar ao ranking encabeçado pela Suíça, com o Togo (na África) ocupando a posição de país menos feliz e o Brasil no 16° lugar, pessoas de 158 países tiveram que dar uma nota ao seu grau de satisfação com a vida: no qual zero significa “pior possível”, e dez, “melhor possível”. Apesar de os principais fatores levados em consideração na análise serem o Produto Interno Bruto (PIB per capita), o apoio social e a expectativa de vida saudável, os fatores secundários – como generosidade, liberdade para fazer escolhas de vida e ausência de corrupção – foram, juntos, responsáveis por 55% das diferenças médias entre a pontuação de cada país.

É o que talvez explique o fato de a Costa Rica ocupar a 12ª posição, o México a 14ª e o Brasil a 16ª. Os três estão à frente de Reino Unido, França e Alemanha, que são 21º, 26º e 29º, respectivamente. Os EUA aparecem em 15º lugar.

Os países com o capital social suficientemente alto parecem ser mais capazes de manter e até melhorar o bem-estar, mesmo diante de catástrofes naturais ou de choques econômicos. Já o estresse econômico, político e social foram os principais responsáveis pelas dez maiores quedas nas avaliações médias de vida. Nesse caso, Grécia, Itália e Espanha são exemplos citados pelo relatório, por terem sido duramente atingidos pela crise na zona do euro.

Por outro lado, países com forte espírito comunitário se mostraram mais capazes de enfrentar grandes crises com consequências mais positivas no ranking da felicidade, a exemplo de Irlanda e Islândia. No caso do país nórdico, após a crise econômica de 2008, o sofrimento com a quebra de seu sistema bancário pouco impactou a felicidade. A recuperação pós-choque tem sido forte o suficiente para colocar o país no segundo lugar do ranking mundial.

Renda é importante. De acordo com a demógrafa e professora da Universidade Federal de Alfenas Luísa Pimenta Terra, que realizou uma pesquisa correlacionando a maior expectativa de vida e a felicidade, os estudos sobre o tema no país mostram a renda como um dos fatores preponderantes para o bem-estar social.

“Estudos sobre felicidade no Brasil mostram que as pessoas teriam maior renda porque seriam mais felizes e, assim, teriam mais disposição para trabalhar e para empreender. Diversos trabalhos apontaram que a população dos países ricos é, em média, mais feliz do que a população dos países pobres. Porém há trabalhos que discutiram outros determinantes para a felicidade. Um desses determinantes é a situação de emprego”, pondera.

Insatisfação

Efeitos. Pesquisa feita pelo economista David Blanchflower Graham em 23 países evidenciou como a perda do emprego reduz a felicidade drasticamente, ainda que a renda seja mantida.

Butão é considerado o país da felicidade A ideia de medir o nível de felicidade no mundo surgiu durante uma Assembleia Geral das Nações Unidas, em julho de 2011. A proposta foi feita pelo então primeiro-ministro do Butão, Jigme Thinley. O chefe de Estado, na ocasião, convidou os países-membro das Nações Unidas a desenvolverem uma pesquisa próxima à experiência de seu país. O Butão é considerado o país da felicidade. Há mais de 30 anos, o governo vem tomando decisões a partir da medição da Felicidade Interna Bruta (FIB). Para isso, o país começou a se preocupar em como elevar o indicador e tornar sua população mais feliz sem que, com isso, tenha que ceder ao avanço econômico que propicia a devastação ambiental. Foi definido, então, que 60% do território permaneceria coberto por áreas verdes.

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