‘Ajuste fiscal’ em casa para não corroer ainda mais a renda

Consumidor tem que ajustar contas, economizar água e luz, pedir descontos e muito mais

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

O plano era de uma inflação de 4,5% ao ano. Mas, no acumulado de 12 meses até abril, já está em 8,17%. Se para fazer o dinheiro render o governo está promovendo o chamado ajuste fiscal nas contas públicas, o brasileiro está sendo obrigado a fazer o mesmo dentro de casa. Se por um lado o governo mandou os ministérios gastarem menos e decidiu aumentar a exigência para o seguro-desemprego de seis para 12 meses trabalhados, as famílias estão se virando como podem. A professora de inglês Carolina Felix, por exemplo, instaurou em casa a era da economia de água e luz e a prática de pedir descontos. “Fizemos um plano de celular familiar para reduzir o valor das contas. E, no caso do plano de TV a cabo, internet e telefone fixo, eu liguei e negociei para não ter aumento”, conta a professora de inglês. Carolina e todos os outros brasileiros, além de estarem apertando as contas domésticas desde o início deste ano, também estão ajudando o governo a fazer o sacrifício dele. Todo mundo está sentindo menos folga no orçamento e vai ter que cortar gastos. Mas, se o corte individual é positivo, coletivamente tem um efeito muito ruim, pois, se ninguém compra, ninguém vende e aí vira um grande ciclo vicioso”, destaca a professora de economia da faculdade IBS da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Nora Raquel Zygielszyper. Ela explica que o governo está sendo obrigado a ajustar as contas porque gastou demais. “O problema é que, quando o governo se endivida, ele faz isso em nosso nome. E é lógico que as famílias é quem terão que pagar”, afirma. Segundo Nora, para saber o que cortar, a primeira coisa é fazer uma lista dos pequenos gastos. “É hora de comer menos fora, trocar as marcas por outras mais baratas e evitar ao máximo usar o cartão de crédito”, alerta Nora.

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